UOL Notícias Notícias
 

09/02/2007 - 10h08

China executa muçulmano por tentar "dividir" o país

Por Benjamin Kang Lim

PEQUIM (Reuters) - A China executou um ativista Uighur em uma cidade do noroeste do país por tentativa de "dividir a nação" e posse de explosivos, provocando condenação de grupos de direitos humanos, que afirmaram que as provas não eram suficientes.

Ismail Semed, que foi deportado do Paquistão para a China em 2003, disse à corte que sua confissão foi forçada, mas mesmo assim foi executado na quinta-feira em Urumqi, capital da região de Xinjiang, de maioria muçulmana, disse sua mulher, chamada Buhejer, segundo a rádio Free Asia.

"Quando o corpo foi transferido para nós no cemitério eu vi apenas um buraco de bala no seu coração", disse ela à radio financiada pelo governo dos Estados Unidos.

O grupo exilado -- Congresso Mundial Uighur -- disse que a promotoria não apresentou evidências confiáveis para a condenação.

"Seu julgamento, como os da maioria dos prisioneiros políticos Uighur, não foi justo", disse ele em comunicado distribuído por email.

Uma porta-voz da Corte Popular de Urumqi disse que algumas pessoas foram executadas na quinta-feira, mas que não tinha conhecimento de casos específicos. O governo regional de Xinjiang recusou-se a comentar.

Os muçulmanos Uighurs, que falam turco, são 8 milhões dos 19 milhões de habitantes de Xinjiang.

A rádio disse que a acusação de tentar dividir o país surgiu da alegação de que Semed era membro fundador do Movimento Islâmico do Turquistão Leste, classificado por Pequim de grupo terrorista.

Mas Nicholas Bequelin, pesquisador do grupo Human Rights Watch, disse: "A pena de morte foi desproporcional aos crimes alegados...seu julgamento não teve os requisitos mínimos de justiça", afirmou em Hong Kong.

"Não achamos que havia evidência suficiente para condená-lo", disse Bequelin.

A China vem fazendo uma dura campanha contra o que afirma ser separatismo violento e extremistas islâmicos lutando para estabelecer um estado independente do "Turquistão Leste," em Xinjiang, que faz fronteira com Paquistão, Tadjiquistão, Quirguistão, Casaquistão, Rússia e Mongólia.

Buhejer encontrou o marido rapidamente na segunda-feira, antes de ser informada da decisão de execução, disse a RFA. "Foram apenas 10 minutos," disse ela.

Ele disse para ela "tomar conta e dar boa educação às crianças." O casal tem um filho e uma filha.

Semed já havia sido preso por participação em um levante violento em 1990. Ele fugiu para o Paquistão depois da ação do governo chinês em 1997.

Outros dois Uighurs que testemunharam contra Semed também foram executados, disseram fontes da região não identificadas, segundo a RFA.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host