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04/04/2007 - 21h20

Cientistas britânicos tentam barrar veto a embriões híbridos

Por Tim Castle

LONDRES (Reuters) - Cientistas e parlamentares da Grã-Bretanha pediram na quarta-feira que seja rejeitada a proposta de veto às pesquisas envolvendo a criação de embriões híbridos de animais e seres humanos para o tratamento de doenças como o mal de Parkinson, derrames e o mal de Alzheimer.

Em dezembro, o governo britânico sugeriu proibir a criação de embriões híbridos devido ao que descreveu como um "evidente desconforto da opinião pública".

Mas a Comissão de Tecnologia e Ciência da Câmara dos Comuns (câmara baixa do Parlamento) disse que a proibição era inaceitável porque prejudicaria os avanços científicos do país.

"Estamos preocupados com a possibilidade de um veto ou de uma proposta de veto não apenas encorajar cientistas a partirem da Grã-Bretanha a fim de continuarem com suas pesquisas em um regime regulador mais permissivo, como de inibir pesquisas nesse setor", afirmou o órgão.

Em uma carta, 223 organizações de médicos e pacientes apelaram ao primeiro-ministro britânico, Tony Blair, defendendo que os pesquisadores tenham permissão para criar embriões como fonte de células-tronco capazes de resultar em novos tratamentos contra várias doenças.

A Grã-Bretanha é um dos principais líderes da pesquisa com células-tronco, tendo atraído cientistas de todo o mundo devido a seu ambiente liberal, no qual é permitido o trabalho com embriões dentro de certos limites.

Mas a proibição sugerida colocaria esse potencial do país em risco, afirmou a comissão.

"Estamos diante de um teste sobre o comprometimento do governo com a ciência", disse o presidente da comissão, Phil Willis, deputado do Partido Liberal Democrata.

As pesquisas envolvendo a colocação de DNA humano dentro de óvulos de vaca e de coelho esvaziados de seus conteúdos foram paralisadas depois de o Ministério da Saúde do país ter sugerido a proibição.

FALTA DE MATERIAL

Ao utilizar óvulos de animais, cientistas do Kings College em Londres e do Instituto East England de Célula-Tronco, em Newcastle Upon Tyne, esperam contornar a falta de óvulos humanos para pesquisa.

Hoje em dia, os cientistas precisam recorrer a óvulos que sobraram de tratamentos de fertilidade, mas esse material é limitado. Os embriões híbridos, que seriam destruídos dentro de 14 dias, seriam mais de 99 por cento humanos, contendo, porém, uma pequena quantidade de DNA animal.

Esse tipo de pesquisa, segundo as leis atuais da Grã-Bretanha, poderia ser realizado. No entanto, a Agência de Fertilização e Embriologia Humana adiou uma decisão sobre o licenciamento dessa atividade enquanto consulta a opinião pública a respeito dos embriões híbridos.

Cientistas na China, nos EUA e no Canadá já realizaram operações do tipo, lançando mão da mesma técnica usada para criar a ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado do mundo.

Caroline Flint, uma autoridade do Ministério da Saúde da Grã-Bretanha, deu indícios de que o governo está preparado para reconsiderar seu relatório de dezembro, no qual foi sugerida a proibição, e deixou aberta a possibilidade de que a atividade seja regulamentada mais tarde.

"Nunca escondemos nosso apoio para a pesquisa com embriões em nome do avanço da ciência e da medicina. E é nosso objetivo manter a Grã-Bretanha na linha de frente dessa tecnologia", afirmou o ministério em um comunicado.

"Apesar de termos sugerido inicialmente uma proibição em termos gerais, reconhecemos que pode haver algum benefício desse tipo de pesquisa e, certamente, não pretendemos fechar-lhe as portas."

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