UOL Notícias Notícias
 

09/04/2007 - 16h01

Irã anuncia combustível nuclear em escala industrial

Por Parisa Hafezi

NATANZ, Irã (Reuters) - O Irã anunciou na segunda-feira que começou a produzir combustível nuclear em escala industrial, ignorando de novo o Conselho de Segurança da ONU, que já impôs duas rodadas de sanções contra o país por causa desse tipo de atividade.

Até então, o Irã enriquecia urânio de forma experimental, com algumas centenas de centrífugas. Na escala industrial, serão envolvidos milhares de máquinas.

Países do Ocidente temem que com isso o Irã fique mais próximo de produzir armas nucleares. Os iranianos insistem que só querem usar o combustível para gerar energia elétrica, para que possa com isso exportar mais petróleo e gás natural. O Irã é o quarto maior exportador de petróleo do mundo.

"É com orgulho que anuncio que a partir de hoje o Irã está entre os países que produzem combustível nuclear em escala industrial", disse o presidente Mahmoud Ahmadinejad na usina de Natanz, no centro do país.

Washington rapidamente condenou a declaração, dizendo que se trata de mais um sinal de que o Irã está desafiando a comunidade internacional.

O Irã já disse que iria instalar 3.000 centrífugas, no primeiro passo para a produção em escala industrial. A Agência de Notícias Mehr citou o negociador nuclear Ali Larijani dizendo que o Irã havia chegado à capacidade de "3.000".

Fontes diplomáticas haviam dito que o Irã tinha 3.000 máquinas montadas, mas que não havia colocado matéria-prima nelas. Uma fonte oficial iraniana disse à agência Isna que inspetores da Organização das Nações Unidas vão confirmar o número de centrífugas daqui a 20 dias.

Segundo analistas, o Irã usa esse tipo de anúncio para pressionar o Ocidente, mas muitas vezes ainda há problemas técnicos a serem resolvidos. O Irã pretende construir 54 mil centrífugas. Com 3.000, o país poderia produzir material suficiente para uma bomba em um ano, estimam especialistas do Ocidente.

Ahmadinejad disse que o Irã não vai ceder às pressões para interromper as atividades nucleares. "O Irã vem avançando num caminho totalmente pacífico, e quer continuar nesse caminho. Eles deveriam evitar fazer algo que obrigue este país a rever seu comportamento", disse Ahmadinejad.

A Casa Branca disse estar "muito preocupada" com as atividades iranianas e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse, em comentários a jornalistas, que espera que o Irã siga as resoluções do Conselho de Segurança.

"Eu espero sinceramente que, mesmo neste momento, em que o governo iraniano está sob sanções do Conselho de Segurança, que eles devem se engajar na negociação. É muito importante para qualquer país-membro cumprir totalmente uma resolução do Conselho de Segurança. Faço um apelo para que o governo iraniano faça isso", disse.

O Conselho de Segurança da ONU já aprovou duas resoluções desde dezembro com sanções contra o Irã, exigindo a interrupção do enriquecimento de urânio.

"Se eles continuarem a pressionar o Irã por causa de suas atividades nucleares pacíficas, não teremos escolha senão seguir as ordens do Parlamento e rever nossa participação no Tratado de Não-Proliferação (TNP)", disse Larijani. Ahmadinejad afirma que até agora as atividades estavam dentro do tratado.

De acordo com diplomatas ocidentais, se o Irã deixar o TNP sua tese de que seus objetivos são apenas civis ficará enfraquecida. O Irã já fez ameaças semelhantes antes, mas não as cumpriu.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,32
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,56
    63.760,62
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host