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25/04/2007 - 17h56

ONU critica Iraque por reter dados sobre mortes civis

Por Yara Bayoumy

BAGDÁ (Reuters) - A ONU criticou na quarta-feira o governo iraquiano por não divulgar as cifras de mortos civis na guerra, temendo passar um quadro "sombrio demais", e disse que a situação humanitária no país está se deteriorando rapidamente.

A crítica constava em um novo relatório de direitos humanos da ONU sobre o Iraque, criticado por autoridades iraquianas e dos EUA em Bagdá, que apontaram distorções e imprecisões.

"A Unami enfatiza mais uma vez que é da máxima necessidade que o governo iraquiano opere de maneira transparente, e não aceita a sugestão do governo de que a Unami usou cifras de mortalidade de modo inapropriado", disse relatório da agência, alertando para "imensos desafios de segurança" e "uma crise humanitária que piora rapidamente."

A ONU disse não ter recebido explicações sobre a recusa por parte do governo na liberação de dados oficiais específicos. Os comandantes norte-americanos, por sua vez, usam apenas porcentagens para descrever aumentos ou diminuições em linhas gerais.

"Disseram-nos que o governo está cada vez mais preocupado com as cifras sendo usadas para retratar a situação como muito sombria", disse Ivana Vuco, funcionária da Unami, em entrevista coletiva.

O governo de Nuri Al Maliki, que é xiita e anteriormente acusara a Unami de exagerar o número de vítimas, rejeitou o conteúdo do texto da ONU.

"O governo iraquiano anuncia suas profundas reservas em relação ao relatório, que carece de precisão na informação apresentada, carece de credibilidade em muitos de seus pontos e carece de equilíbrio na sua apresentação da situação dos direitos humanos no Iraque", segundo nota do gabinete do premiê.

O texto afirma que "publicar um relatório desequilibrado como este aumenta a crise humanitária no Iraque".

A embaixada dos EUA afirmou que o documento tem "numerosas imprecisões factuais", o que "prejudica sua credibilidade como um todo".

As autoridades iraquianas dizem que o número de vítimas civis diminuiu em Bagdá desde o início da atual operação de segurança, há nove semanas. Mas os comandantes militares dos EUA admitem que uma onda de carros-bomba acabou elevando o total geral de mortos.

A Unami disse em janeiro que 34.452 civis haviam sido mortos no Iraque e mais de 36 mil haviam ficado feridos em 2006, cifras muito superiores a qualquer estatística divulgada previamente pelo governo.

O relatório da ONU diz ainda que acadêmicos, jornalistas, médicos e membros de minorias étnicas e religiosas são cada vez mais alvos de intimidações, sequestros e assassinatos.

O texto também manifesta preocupação com o tratamento dado a 3.000 suspeitos presos durante a atual operação de segurança em Bagdá.

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