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23/05/2007 - 10h26

Papa admite injustiça colonial na América

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Bento 16, criticado na América Latina por ter declarado que a Igreja purificou os índios, admitiu nesta quarta-feira que foram cometidos "crimes injustificáveis" durante a colonização do continente americano.

Ainda assim, ele não chegou a pedir desculpas, como havia sido exigido por alguns líderes, incluindo o presidente venezuelano Hugo Chávez. No Brasil, líderes indígenas afirmaram ter se ofendido pelos comentários "arrogantes e desrespeitosos" de Bento 16.

"As lembranças de um passado glorioso não podem ignorar as sombras que acompanharam o processo de evangelização do continente latino-americano", disse o pontífice.

"De fato, não é possível esquecer o sofrimento e as injustiças impostas pelos colonizadores contra a população indígena, cujos direitos humanos e fundamentais têm sido com frequência pisoteados."

Em discurso para bispos latino-americanos e do Caribe no encerramento de sua visita ao Brasil, o pontífice afirmou que a Igreja não havia se imposto aos povos indígenas das Américas. Segundo o papa, os índios receberam bem os padres europeus, já que "Cristo era o salvador que esperavam silenciosamente".

Chávez acusou o papa de ignorar o "holocausto" que se seguiu à chegada de Cristóvão Colombo à América, em 1492. Milhões de índios morreram durante a colonização européia apoiada pela Igreja, vítimas de assassinatos, doenças e escravidão.

Falando a peregrinos congregados na Praça de São Pedro nesta quarta-feira, o papa disse que os crimes contra os índios americanos já haviam sido denunciados por missionários na época da colonização.

Ele também ressaltou que estes crimes não deveriam diminuir os feitos da cristandade na América Latina.

"Mencionar isto não nos deve impedir de lembrar com gratidão o trabalho maravilhoso feito pela graça divina em meio a estas pessoas no decorrer destes séculos", declarou.

Esta não foi a primeira vez que comentários do papa provocaram controvérsia.

Em setembro passado, ele enfureceu a comunidade muçulmana com um discurso em que parecia classificar o islã como uma religião irracional, marcada pela violência. Posteriormente, Bento 16 expressou pesar por suas declarações.

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