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06/06/2007 - 21h05

Sem unanimidade, BC acelera corte do juro básico

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central acelerou o ritmo de corte do juro básico nesta quarta-feira. Por cinco votos a dois, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,50 ponto percentual, para 12,0 por cento ao ano.

Segundo o BC, os dois diretores vencidos defendiam um corte de 0,25 ponto percentual.

Em breve comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou apenas que, "avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação", decidiu "neste momento" reduzir a taxa Selic para 12,0 por cento, sem viés.

Pesquisa da Reuters na semana passada mostrou que 17 de 25 analistas já previam corte da Selic em 0,50 ponto percentual. Mas a piora dos mercados financeiros nos últimos dias fez com que uma parcela de investidores passasse a considerar uma redução de 0,25 ponto.

Na reunião anterior do Copom, em abril, a decisão de reduzir o juro em 0,25 ponto pela terceira vez consecutiva foi tomada por quatro votos favoráveis. Outros três diretores defenderam uma redução maior, de 0,50 ponto.

Essa dissidência, aliada aos dados favoráveis da inflação, do risco-país e do câmbio, é que vinha sustentando a aposta em um afrouxamento monetário maior esta semana.

"Aparentemente, o BC resolveu dar mais peso às variáveis de curto prazo. O câmbio facilita importações e segura a inflação e, dessa forma, permitiu ao BC acelerar o ritmo de corte", afirmou o economista-chefe do Unibanco Asset Management, Alexandre Mathias.

À ESPERA DA ATA

Para Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, a dissidência era esperada. "Agora vai todo mundo querer ler a ata, porque na ata vai ter um cenário mais claro para as próximas reuniões. A próxima decisão fica em aberto, temos que avaliar a evolução da demanda interna, esse estresse de fora dos últimos dias", disse.

Os mercados internacionais sofreram esta semana o impacto de dados norte-americanos que reacenderam preocupações com a inflação e ampliaram a aposta de que o juro nos EUA não vai cair tão cedo. No Brasil, o movimento se refletiu em alta do dólar e queda da Bovespa.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) surpreendeu ao elogiar a decisão do Copom. Tradicionalmente, a entidade divulga nota crítica ao Banco Central após as decisões sobre juro.

"A CNI e o setor industrial recebem com ânimo --e avaliam como positiva-- a redução de 0,50 ponto percentual na taxa Selic definida hoje pelo Copom", comentou a CNI em nota.

"A aceleração no ritmo de abrandamento do rigor monetário era necessária --e, portanto, bem-vinda; com certeza irá gerar condições para a continuidade e intensificação do atual ciclo de crescimento da economia brasileira."

Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) se mostrou insatisfeita. "A queda de 0,50 ponto, embora signifique um avanço, é insuficiente para influenciar o câmbio", avaliou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

A próxima reunião do Copom está agendada para 17 e 18 de julho.

(Colaborou Nathália Ferreira)

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