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18/06/2007 - 12h24

UE avalia retomada de ajuda direta a palestinos

Por Ingrid Melander e David Brunnstrom

LUXEMBURGO (Reuters) - A União Européia (UE) deseja retomar o envio direto de ajuda aos palestinos a fim de fortalecer o gabinete de emergência do presidente Mahmoud Abbas, mas o bloco ainda avalia qual o melhor momento para liberar os fundos, disseram na segunda-feira autoridades da UE.

"Parte do dinheiro será enviada diretamente", disse Javier Solana, chefe da área de política externa da entidade, ao ser questionado se a UE colocaria fim ao embargo iniciado quando o grupo islâmico Hamas subiu ao poder, em março de 2006.

Na semana passada, o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza após expulsar da região as forças leais a Abbas, levando o presidente a substituir por um gabinete de emergência o governo de unidade nacional liderado pelo grupo militante. O Hamas descreveu como um "golpe" a formação do novo gabinete.

"Não há dúvida de que parte do dinheiro irá para a conta do governo do primeiro-ministro Fayyad (Salam Fayyad)", afirmou Solana, referindo-se ao economista formado nos EUA e escolhido por Abbas para ocupar aquele cargo.

A UE já retomou os contatos com o Ministério das Finanças dos palestinos.

"Haverá uma relação direta com esse governo", disse, sem fornecer datas para a liberação dos fundos.

A comissária das Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner, a autoridade encarregada de supervisionar a ajuda financeira enviada diretamente para a Autoridade Palestina, afirmou desejar reunir-se o quanto antes com Fayyad.

"Acho que cabe a ele nos dizer quais são suas maiores necessidades e qual é o cenário existente atualmente", disse, acrescentando que há questões sobre "o controle e a transparência financeiras" que precisam ser esclarecidas.

"O mais importante é retomarmos, em primeiro lugar, a ajuda humanitária", afirmou. A UE também pediu em negociações realizadas na noite de segunda-feira com a ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, que Israel repasse parte dos 800 milhões de dólares de impostos que arrecadou em nome dos palestinos.

Livni disse a repórteres que a criação de um novo governo enviava uma mensagem de esperança e que o Estado judaico desejava trabalhar com os que reconhecessem o direito de Israel de existir.

"Com esse tipo de governo, trabalharemos juntos. E, claro, liberaremos o dinheiro. Mas essas são apenas decisões preliminares. Será preciso verificar como as coisas realmente estão", afirmou.

"Este é um momento de verdade para a sociedade palestina."

O colapso do governo de unidade formado pelos aliados de Abbas e pelo Hamas levou o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, a dizer que seu país liberaria os impostos congelados. E fez com que o governo dos EUA, liderado pelo presidente George W. Bush, declarasse que levantará nesta semana o embargo à ajuda direta.

Potências ocidentais impuseram o embargo porque o Hamas, que venceu as eleições parlamentares do ano passado, recusou-se a reconhecer Israel, a renunciar à violência e a aceitar os acordos de paz interinos. O grupo islâmico conseguiu o apoio do Irã, um tradicional inimigo dos EUA.

Segundo diplomatas, os ministros das Relações Exteriores dos países membros da UE não tomariam por enquanto nenhuma decisão definitiva a respeito da retomada da ajuda direta e, em vez disso, dariam sinais de que vão avaliar "um apoio prático e financeiro adicional" para Abbas.

Os ministros estão reunidos em Luxemburgo.

(Reportagem adicional de Mark John)

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