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16/07/2007 - 19h17

Raúl Castro aproxima Cuba das Américas, diz chefe da OEA

Por Eduardo García

BUENOS AIRES (Reuters) - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse na segunda-feira que as mudanças implementadas por Raúl Castro em Cuba abrem a possibilidade de restabelecer o diálogo com a ilha comunista.

"Houve uma mudança que nos aponta para a evidência de uma certa transição, de uma certa mudança nas relações de poder no interior de Cuba", disse Insulza em Buenos Aires, quando questionado sobre a eventual aproximação do governo interino de Raúl Castro com o resto do continente.

Depois de dirigir o país por 47 anos, o líder revolucionário cubano Fidel Castro transferiu o poder temporariamente a seu irmão Raúl no final de julho de 2006, enquanto se recupera de uma doença intestinal.

Fidel, que completa 81 anos em agosto, não é visto em público desde então, mas os altos escalões cubanos garantem que ele se recupera favoravelmente, embora sem esclarecer se ele voltará ao poder.

No começo deste mês, Raúl pôs em marcha um processo eleitoral que culminará em 2008, quando o Parlamento decidirá se seu irmão será reeleito presidente do Conselho de Estado, como ocorreu nos últimos 30 anos.

"Não me atrevo a prognosticar nem em que profundidade nem em que direção podem vir essas mudanças, mas acho que haverá uma possibilidade de diálogo e de conversação sobre Cuba, que está já muito atrasada na nossa organização", acrescentou o chileno Insulza.

A comunidade internacional considera Raúl como um dirigente mais pragmático que o irmão.

Durante quase um ano no poder, o presidente interino abriu um diálogo com a Espanha e estendeu uma mão ao arquiinimigo Estados Unidos, afirmando-se disposto a resolver com negociações uma disputa ideológica que dura quase meio século.

Insulza afirmou que, embora Cuba esteja há mais de 40 anos fora da OEA, trata-se de um país "com o qual seria preciso conversar", mas salientou que não estava propondo a volta imediata da ilha à organização.

A OEA suspendeu Cuba em 1962, sob a política de isolamento promovida pelos Estados Unidos que na época levou todos os países da América Latina, exceto o México, a romper relações com Havana.

Desde o fim da Guerra Fria, a maioria dos países latino-americanos restabeleceu relações com Cuba, com exceção de El Salvador.

Com a chegada ao poder de líderes esquerdistas na Venezuela, na Bolívia, no Equador e na Nicarágua, as relações de Cuba com a América Latina estão em seu melhor momento desde que Fidel Castro tomou o poder, em 1959.

Insulza declarou que não pretende "reabrir feridas" e que não haverá uma discussão sobre a readmissão de Cuba na OEA, a menos que exista consenso nesse sentido.

"Se algum país membro da organização acha que não é o momento de mudar de política com respeito a Cuba, lamento muito, mas não vou forçar essa mão", afirmou.

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