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24/07/2007 - 19h46

Síria e Israel dão versões diferentes para encontro na ONU

Por Claudia Parsons

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Pode ter sido um esbarrão casual, uma emboscada no banheiro masculino ou um primeiro contato cuidadosamente estudado --seja como for, os embaixadores de Israel e da Síria na ONU caminharam lado a lado e podem ter trocado algumas palavras pela primeira vez nesta terça-feira.

Israel e Síria vêm trocando recados nos últimos meses, geralmente por meio de mediadores, para explorar a possibilidade de retomar um processo de paz.

O embaixador israelense, Dan Gillerman, disse a jornalistas que apertou a mão de seu colega sírio, Bashar Ja'afari, e conversou com ele num salão ao lado do Conselho de Segurança, na terça-feira.

"Foi a primeira vez que conversamos", disse Gillerman, embaixador de Israel na ONU desde o começo de 2003. Os dois foram vistos caminhando perto do banheiro masculino na antecâmara do Conselho.

Questionado sobre se haviam discutido algo mais significativo do que o tempo, Gillerman disse: "Não discutimos o tempo." Sobre se houve um aperto de mão, ele disse que "sim."

Já o diplomata sírio negou ter conversado com Gillerman. "Eu não estava conversando com ele; ele estava me seguindo", afirmou Ja'afari a jornalistas. "Não me dirigi a ele, não andei com ele", acrescentou. Sobre o eventual aperto de mãos, foi enfático: "Nem mãos nem pés."

Uma fonte da missão israelense disse que os dois embaixadores se encontraram por acaso, quando Gillerman guiava um grupo de estudantes israelenses em visita à ONU.

"Foi casual. Ele tentou explicar algo ao embaixador sírio", disse um funcionário.

As negociações entre Síria e Israel foram abandonadas em 2000, sem que resolvessem o destino das colinas do Golã, ocupadas por Israel na guerra de 1967 e anexadas em 1981, o que nunca teve reconhecimento internacional. Ambos os lados demonstram nos últimos meses disposição em retomar o diálogo.

Em declarações transmitidas no sábado, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que a Síria está impondo "um umbral impossível" para as negociações ao exigir que Israel se comprometa a abandonar totalmente o Golã antes mesmo da retomada do processo.

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