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30/07/2007 - 15h28

Hamas oferece turnê em Gaza a jornalistas estrangeiros

Por Alastair Macdonald

GAZA (Reuters) - O grupo palestino Hamas fez um apelo à imprensa internacional para que mostre ao mundo o que seu líder classificou como o sofrimento do povo de Gaza, por causa do embargo internacional, depois de promover uma excursão para mostrar aos jornalistas que a organização islamita levou a paz à região.

"Gaza hoje está melhor", disse Ismail Haniyeh, que ainda se autodenomina primeiro-ministro palestino, a dezenas de repórteres estrangeiros que fizeram o passeio num ônibus, visitando uma prisão, uma igreja, postos de controle na fronteira e instalações de segurança.

"Mas o cerco sufocante ... está afetando muito Gaza", acrescentou ele, dois dias antes de a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, embarcar para uma nova rodada de negociações de paz em Israel e na Cisjordânia. "Espero que vocês tenham visto o sofrimento e mostrem ao mundo a realidade do sofrimento."

No mês passado, o Hamas expulsou de Gaza as forças leais à facção Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas. Desde então, Israel e Egito praticamente fecharam suas fronteiras com o território costeiro, enquanto o Fatah passou a controlar a Cisjordânia, com um governo de emergência.

Israel e seus aliados rejeitam o Hamas porque o grupo islamita recusa-se a renunciar à violência e a aceitar a existência de Israel.

Em Gaza, o fim de meses de conflito entre as facções levou certa calma ao território de 1,5 milhão de habitantes, e muitos correspondentes estrangeiros voltaram a trabalhar lá.

Embora o fornecimento de alimento e combustível esteja garantido, a ONU já advertiu sobre a iminência de uma crise, já que o embargo comercial obrigou os negócios a fechar, e aumentou a dependência à assistência externa.

Um integrante do Hamas que serviu de guia na excursão afirmou: "Vocês podem ver que Gaza está mais calma. Tudo em Gaza está sob controle. Todo mundo dá as boas-vindas. Dá para ir a qualquer lugar."

Os jornalistas foram a uma prisão em que um dia ficaram detidos os prisioneiros políticos do Hamas, e que hoje, segundo o grupo, só possui criminosos comuns, que por sua vez elogiaram o tratamento que recebem. Um deles disse que estava cumprindo seis meses por contravenções ligadas às drogas mas que esperava ser liberado em troca de aprender a recitar o Alcorão.

O líder da Força Executiva do Hamas garantiu aos repórteres que não há prisioneiros políticos. O vice-presidente do Parlamento palestino, por sua vez, assegurou o respeito aos direitos humanos.

O padre Manuel Musallam afirmou aos jornalistas em sua igreja que o Hamas não é "um movimento religioso", hostil à minoria cristã, mas um "movimento político" dedicado ao povo palestino. "Sou o melhor amigo do senhor Haniyeh", acrescentou.

O próprio Haniyeh, que ofereceu almoço aos jornalistas, insistiu não estar fazendo propaganda, mas sim tentando responder às críticas de seus adversários, que acusam o Hamas de ter detido dezenas de ativistas do Fatah depois das batalhas de junho. "Não é um dia de relações públicas. É um dia para mostrar a verdade", disse.

"Pode ter havido erros, mas ressalto que foram bem poucos, e eles serão julgados sob a lei."

Ele reafirmou sua disposição em negociar com Abbas. E, responsabilizando Israel pelos ataques com foguetes, disse oferecer ao Estado judaico uma trégua "abrangente e recíproca".

(Reportagem adicional de Nidal al-Mughrabi)

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