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01/08/2007 - 15h59

Diversidade genética caiu na Grã-Bretanha nos últimos mil anos

Por Michael Kahn

LONDRES (Reuters) - Os britânicos têm menos diversidade genética entre si que mil anos atrás, mostrou um estudo que pode dar indicações sobre os motivos de algumas pessoas resistirem melhor a doenças que outras.

Uma explicação para a perda na diversidade pode estar nas pragas dos séculos 14 e 17, disse Rus Hoelzel, geneticista populacional que foi um dos autores do texto com as conclusões publicados na Biology Letters.

A diversidade menor é surpreendente porque gente de todo o mundo, e de diversos contextos étnicos, estabeleceu-se na Grã-Bretanha moderna, disse ele.

"Com base na suposição de que a Inglaterra moderna é mais cosmopolita, a diversidade genética maior da amostra antiga foi inesperada", disse na quarta-feira, em uma entrevista por telefone. "A expectativa era de que o universo genético fosse mais misturado."

Os pesquisadores disseram que o DNA mitocondrial extraído de 48 pessoas que viveram há um milênio também foi mais diversificado que os encontrados nas populações modernas do norte da Alemanha, da Dinamarca e da Noruega. Essas áreas teriam sido a fonte mais provável de migração para a Inglaterra naquela época.

A equipe usou o DNA mitocondrial porque ele é passado de mãe para filha praticamente inalterado, constituindo uma poderosa ferramenta para rastrear a linhagem humana.

O material genético foi retirado de britânicos que viveram entre os anos 300 e 1000 d.C., além de 6.320 amostras modernas de DNA mitocondrial da Inglaterra, da Europa e do Oriente Médio.

Os autores lembraram no estudo que as epidemias de peste bubônica mataram cerca de 50 por cento da população européia entre 1347 e 1351 e 20 por cento dos moradores de Londres entre 1665 e 1666.

Segundo Hoelzel, a doença não afetou todas as pessoas da mesma forma, e algumas famílias podem ter deixado mais filhas para se reproduzir e transmitir seus genes. Em outros casos, linhagens inteiras podem ter sido exterminadas, quando vilarejos inteiros morreram na epidemia.

Se a seleção natural tiver tido influência, as conclusões podem um dia ajudar os cientistas a determinar quais genes tornam as pessoas mais resistentes a determinadas doenças, disse Hoelzel.

"Seria importante identificar um gene que seja relevante na proteção das pessoas contra pandemias futuras", afirmou o pesquisador.

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