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15/08/2007 - 09h46

Índia celebra 60 anos e declara guerra à pobreza

Por Simon Denyer

NOVA DÉLHI (Reuters) - O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, celebrou na quarta-feira os 60 anos do fim do domínio colonial britânico no país e pediu mais empenho no combate à miséria, à ignorância e às doenças.

"A Índia não pode se tornar uma nação com ilhas de alto crescimento e vastas áreas intocadas pelo desenvolvimento, onde os benefícios do crescimento florescem apenas para poucos", disse ele, detrás de um vidro blindado, no histórico Forte Vermelho, em Nova Délhi.

"Avançamos em muitas batalhas contra a pobreza, a ignorância e a doença. Mas podemos dizer que ganhamos a guerra?", disse ele a uma platéia de autoridades e diplomatas, além de crianças vestidas de branco, laranja e verde, as cores da bandeira nacional.

A Índia tem uma das economias que mais crescem no mundo, mas é também um dos países mais desiguais do planeta, com centenas de milhões de miseráveis sobrevivendo com menos de um dólar por dia.

Franco-atiradores protegeram o local durante o discurso de Singh, enquanto soldados e policiais faziam vigilância extra em prédios de todo o país, já que a data é regularmente marcada por ataques de separatistas ou de rebeldes maoístas.

Antes, Singh depositou flores em memoriais que homenageiam o líder da independência indiana, Mahatma Gandhi, o primeiro premiê do país, Jawaharlal Nehru, e a filha dele, Indira Gandhi, assassinada quando também era primeira-ministra.

Usando seu tradicional turbante azul-claro, Singh em seguida rumou para o forte de arenito, construído no século 17 pela dinastia Mughal, onde hasteou uma bandeira nacional ao som de 21 tiros de canhão.

Singh prometeu investimentos de 6,2 bilhões de dólares na agricultura, que emprega mais de metade da população, e defendeu uma "revolução na educação moderna", num país em que há um terço de analfabetos.

"O problema da desnutrição é uma vergonha nacional", acrescentou. "Apelo à nação para resolver e se empenhar na erradicação da desnutrição dentro de cinco anos."

Apesar de a economia crescer cerca de 8 por cento nos últimos anos, cerca de 46 por cento das crianças indianas são desnutridas, segundo o Unicef. A taxa é superior à da África Sub-Saariana.

O premiê também prometeu incentivos à industrialização e a construção de "infra-estrutura de primeira linha". Mas alertou para as dificuldades na transição da economia agrícola para a industrial.

Em Assam, Estado produtor de chá e petróleo no remoto nordeste indiano, supostos rebeldes separatistas lançaram uma granada contra um quartel da polícia, ferindo dois policiais e três civis, minutos antes do início das celebrações.

No vale da Caxemira, onde há 17 anos a Índia enfrenta uma rebelião separatista islâmica, as lojas fecharam e as ruas ficaram desertas por causa da convocação de uma greve geral por parte de um grupo muçulmano que vê na data "um dia negro".

A Caxemira é motivo de constante atrito da Índia com o vizinho Paquistão, que também reivindica a região e na terça-feira comemorou os 60 anos da sua independência.

(Reportagem adicional de Biswajyoti Das em Guwahati, Bappa Majumdar em Kolkata e Sheikh Mushtaq em Srinagar)

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