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27/08/2007 - 15h27

Secretário de Justiça dos EUA deixa o cargo em 17 de setembro

Por David Morgan

WASHINGTON (Reuters) - O secretário da Justiça dos Estados Unidos, Alberto Gonzales, renunciou na segunda-feira depois de meses de polêmica e pressões políticas, que foram atribuídas pelo presidente George W. Bush a seus adversários no Congresso.

Gonzales, 52, fiel aliado de Bush, envolveu-se em controvérsia por causa da demissão de vários procuradores federais no ano passado. A oposição afirmou que as demissões tiveram motivações políticas. Gonzales chegou a ser ameaçado de uma investigação por perjúrio por causa do depoimento que deu ao Congresso.

Ao longo da crise, Bush apoiou Gonzales o tempo todo, e agora, com sua saída, disse que ele suportou "meses de tratamento injusto, que atrapalharam perigosamente o Departamento de Justiça".

"É triste vivermos num tempo em que uma pessoa talentosa e honrada como Alberto Gonzales é impedida de fazer seu importante trabalho porque seu nome foi arrastado na lama por razões políticas", disse Bush antes de deixar o Texas a caminho de eventos de arrecadação do Partido Republicano no Novo México e em Washington.

Gonzales anunciou no Departamento de Justiça que sua renúncia valeria a partir de 17 de setembro. Ele não quis atender os repórteres e não deu explicações para a decisão.

"Vivi o sonho americano", disse Gonzales, filho de migrantes, que trabalhava para Bush desde que ele ainda era governador do Texas.

"Mesmo meus piores dias como secretário da Justiça foram melhores que os melhores dias de meu pai", completou.

Uma fonte do governo disse que o presidente ainda não tem um novo nome para o cargo. O procurador-geral da República, Paul Clement, ficará interinamente no posto. Especula-se que o secretário da Segurança Interna, Michael Chertoff, possa ser indicado para a pasta.

Gonzales conversou com Bush por telefone na sexta-feira e foi visitá-lo no domingo em seu rancho em Crawford, onde entregou formalmente a carta de demissão.

"Aceitei com relutância sua renúncia, com grande apreço pelo serviço que ele prestou a nosso país", disse Bush.

Autoridades do governo atual e de passados concordam que a integridade do departamento foi danificada por causa da polêmica pela demissão dos procuradores, pelo apoio de Gonzales ao programa de espionagem adotado depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 e por outras questões.

Bush já perdeu vários de seus aliados mais próximos no governo este ano, o penúltimo de seu mandato. Karl Rove deixou a Casa Branca na semana passada, e o diretor de comunicações Dan Bartlett saiu da administração também este ano.

"Espero que a decisão do secretário da Justiça seja um passo na direção da verdade sobre o nível de influência política que a Casa Branca exerce sobre o Departamento de Justiça, e na direção da reconstrução de sua liderança", disse numa nota o senador democrata Patrick Leahy, presidente da Comissão Judiciária do Senado.

(Reportagem adicional de Deborah Charles, James Vicini, Tabassum Zakaria e Andy Sullivan em Washington e de Jeremy Pelofsky em Crawford, Texas)

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