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22/02/2008 - 17h08

Cubanos levam de DVDs a cadeira de rodas em visita à ilha

Por Angus MacSwan

MIAMI, Estados Unidos (Reuters) - O vôo charter do começo da manhã que ia de Miami para Havana parecia-se com um armazém ambulante, abastecido por exilados cubanos, que levam de tudo, desde DVDs a bicicletas, para os parentes e amigos na empobrecida terra natal.

Na fila do check-in, no Aeroporto Internacional de Miami, três dias depois de o líder Fidel Castro ter dito que se aposentadoria do cargo de presidente de Cuba, empilhavam-se nos lotados carrinhos de bagagem roupas e caixas com equipamentos eletrônicos, máquinas de café e peças para automóveis.

A abundância de mercadorias --resultado de uma pequena alteração nas regras alfandegárias adotada no ano passado por Raúl Castro, irmão mais novo de Fidel e provável sucessor dele-- poderia ser um sinal do que está por vir na ilha.

"Para sobreviver em Cuba, é preciso ter parentes aqui", disse um homem que afirmou se chamar Hernandez, 28, e ser um funcionário da área da saúde. Hernandez visitava o país pela primeira vez desde que saiu de Cuba, 19 anos atrás.

"É quase tudo roupa e medicamentos. A gente leva todo o tipo de coisas que as pessoas não encontram lá", disse Hernandez. "Roupas íntimas. As pessoas não têm roupas íntimas lá."

Hernandez também levava uma cadeira de rodas para sua avó.

A cena ilustra a falta de produtos de consumo e as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia pelos moradores do país comunista. E também seria um eventual sinal de mudanças a ocorrerem quando Fidel, que governa Cuba de forma centralizada desde 1959, der passagem a Raúl.

Raúl tornou-se presidente interino quando Fidel ficou doente, em julho de 2006, e deve ser nomeado chefe de Estado do país no domingo. Muitos analistas acreditam que a troca de líder pode fazer-se acompanhar por reformas moderadas capazes de melhorar o padrão de vida dos cubanos e reavivar uma economia atualmente em crise.

Uma medida aprovada por Raúl em junho aliviou as restrições sobre as mercadorias que os expatriados cubanos podem levar quando visitam a ilha.

O resultado: uma caravana de itens embarcados em vôos charter que saem de Miami todos os dias para percorrer os 145 quilômetros que separam os EUA de Cuba.

RESTRIÇÕES NOS EUA

O governo norte-americano proíbe a maior parte de seus cidadãos de viajarem para Cuba. Os cubano-norte-americanos podem visitar a ilha uma vez a cada três anos.

Na sexta-feira, os funcionários da companhia responsável pelo vôo charter embalavam as malas dos passageiros.

Jorge Miro, 37, técnico em aparelhos de ar-condicionado, levava uma bicicleta para o pai. Miro deixou Cuba três anos atrás.

"É preciso ter muito dinheiro para ter um carro em Cuba", disse.

Yani Capote, 23, regressava à ilha para visitar a mãe, um irmão e uma irmã. Ela saiu dali também há três anos, via México, para estudar e hoje trabalha em uma farmácia.

"Estou nervosa e animada", disse.

Entre seus pertences destacava-se uma enorme sacola cheia de balas e barras de chocolate para o aniversário da irmã, no domingo.

Ainda é cedo demais para determinar o significado do relaxamento alfandegário, disse Damian Fernandez, diretor do Instituto Cubano de Pesquisa na Universidade Internacional da Flórida.

"Houve fluxos e refluxos a respeito do controle exercido pelo governo em muitas esferas. Só porque houve uma abertura agora isso não significa que isso ocorrerá outras vezes", afirmou à Reuters.

"O que está claro é que as pessoas dentro e fora de Cuba esperam que haja algum tipo de abertura. Os cubanos exigem isso."

Ao contrário da decisão de Cuba de diminuir as restrições, o atual governo dos EUA, comandado pelo presidente George W. Bush, tornou mais rígidas suas regulamentações sobre os exilados cubanos que visitam a ilha.

Desde 2004, os cubano-norte-americanos só podem viajar para Cuba a fim de visitar seus parentes a cada três anos e enviar até 1.200 dólares por ano para sua família imediata. Antes disso, as visitas podiam ser anuais e o limite máximo de dinheiro enviado era de 3.000 dólares ao ano.

(Por Angus MacSwan)

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