UOL Notícias Notícias
 

29/02/2008 - 11h55

Ataques a Obama revelam preconceito contra muçulmanos nos EUA

Michael Conlon
Em Chicago
A polêmica provocada pela foto de Barack Obama, pré-candidato do Partido Democrata à Presidência dos EUA, vestido com um turbante e uma túnica chama atenção para o profundo sentimento de aversão aos muçulmanos presente na sociedade norte-americana, disseram observadores.

AP
Foto que foi divulgada esta semana mostra Obama vestindo um adereço de cabeça e uma túnica brancos durante uma visita realizada ao vilarejo de Wajir, em 2006
QUENIANOS QUEREM DESCULPAS
TUDO SOBRE AS ELEIÇÕES NOS EUA
Desde os ataques de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington, os árabes em geral e os muçulmanos em particular transformaram-se nos vilões número 1 em filmes e programas de TV dos EUA, afirmou Jack Shaheen, autor do livro "Guilty -- Hollywood's Verdict on Arabs After 9/11" (cuja tradução é Culpados -- o veredicto de Hollywood sobre os árabes depois do 11 de setembro).

"Não há equilíbrio nenhum nisso. Isso é algo tão despropositado quanto ver os asiáticos ou os afro-americanos como terroristas", disse.

A polêmica em torno da foto, segundo Shaheen, deve-se ao fato de "ele (Obama) ser negro, sejamos francos", e ao fato de a roupa tradicional que vestiu quando em visita ao Quênia, a terra natal do pai dele, lembrar os trajes usados pelos muçulmanos.

Quando a foto apareceu em um site da Internet, nesta semana, o comitê de campanha de Obama acusou assessores de sua rival nas prévias democratas, Hillary Clinton, de terem cometido o ato "mais vergonhoso e boateiro" da disputa.

Os aliados de Hillary negaram ter divulgado a imagem.

Obama, que é cristão, viu-se atingido por boatos mentirosos afirmando que ele é muçulmano. O nome do meio do pré-candidato --Hussein-- tem sido usado por alguns para ligá-lo ao ditador iraquiano Saddam Hussein, já morto.

"Mas o interessante é que ninguém disse: 'E daí? E se ele fosse muçulmano, qual seria o problema?"', afirmou Shaheen.

Ahmed Rehab, diretor-executivo da Seção de Chicago do Conselho sobre Relações Americano-Islâmicas, disse que o incidente envolvendo a foto enviava uma mensagem desalentadora para um muçulmano criado nos EUA e eventualmente interessado em tornar-se presidente do país.

"O mero boato sobre uma pessoa ser muçulmana --que dirá se for realmente muçulmana-- está sendo usado como instrumento para destruir as aspirações políticas de alguém, o que vai de encontro a tudo que defendo", afirmou Rehab.

"Quando se trata dos muçulmanos, os discursos inflamatórios surgidos neste ano eleitoral variam entre os meramente excludentes aos pura e simplesmente preconceituosos", disse ele, acrescentando que nem Obama e nem qualquer outro pré-candidato manifestou-se de forma apropriada a respeito da atmosfera de rechaço aos muçulmanos.

Novos ataques centrados na religião e na identidade étnica devem surgir se Obama se consolidar na liderança da corrida pela vaga democrata nas eleições presidenciais de novembro.

Nesta semana, o Partido Republicano do Tennessee divulgou um boletim noticioso com a foto de Obama e o título: "Anti-Semitas a favor de Obama".

O artigo, que discorria sobre o suposto apoio recebido pelo pré-candidato de figuras consideradas anti-semitas, transcreveu o nome inteiro dele: "Senador Barack Hussein Obama".

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    14h29

    -0,03
    3,135
    Outras moedas
  • Bovespa

    14h35

    -0,17
    75.861,80
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host