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08/03/2008 - 13h25

Dissidente irá a julgamento na China por subversão, diz advogado

Por Chris Buckley e Benjamin Kang Lim

PEQUIM (Reuters) - O destacado dissidente Hu Jia enfrentará um julgamento em breve depois que promotores decidiram acusá-lo de subversão, disse seu advogado no sábado, enquanto outro advogado ligado aos direitos humanos e próximo de Hu era libertado de uma breve detenção. Hu, um advogado de 34 anos, que atende doentes com Aids e defende a autonomia do Tibet e outras causas, foi detido pela polícia em dezembro último sob a acusação de "incitar a subversão."

Ativistas dos direitos humanos locais e internacionais exigiam sua libertação antes dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, quando o país pretende exibir seu progresso social e econômico. Mas na sexta-feira, oficiais da procuradoria de Pequim disseram a advogados de Hu ter aceitado o caso policial contra ele e que o levarão ao tribunal.

"Nós fomos informados ontem pela procuradoria que haverá em breve um julgamento pela acusação de incitar a subversão", disse o advogado de Hu, Li Fangping, à Reuters, por telefone.

Li disse que as acusações tinham como base declarações de Hu a repórteres estrangeiros. "Eles o estão acusando de atacar o sistema socialista", disse Li.

Autoridades frequentemente estabelecem acusações de "incitar a subversão" contra dissidentes que fazem duras críticas ao governo do Partido Comunista, e a pena em geral vai de alguns meses a muitos anos de prisão.

O tribunal é obrigado a julgar Hu agora que promotores decidiram tentar sua condenação, disse Li. "É agora uma questão de quando (será o julgamento)", disse Li. "Pode ocorrer ainda neste mês."

ATENÇÃO INTERNACIONAL

O julgamento de Hu deve ser foco de uma intensa atenção internacional por parte de grupos de direitos humanos e governos, enquanto Pequim se prepara para a abertura dos Jogos Olímpicos, em 8 de agosto.

Hu, um budista que passou a maior parte do ano passado em prisão domiciliar, descreveu o seu confinamento em artigos na Internet e em vídeos, e frequentemente falou com repórteres estrangeiros.

Ele e sua mulher, Zeng Jinyan, também uma ativista, tiveram seu primeiro filho dois meses antes de ele ter sido levado de casa pela polícia, em dezembro.

No mês passado, a ONG nova-iorquina Human Rights Watch divulgou um ensaio escrito por Hu e um colega ativista, Teng Biao, no ano passado, denunciando o que eles chamavam de deterioração dos direitos humanos na China antes dos jogos de Pequim.

"Permitir um país que esmaga os direitos humanos a receber as Olimpíadas não traz honra ao povo deste país nem leva glória aos Jogos Olímpicos", escreveu.

No que pode ter sido um alerta a defensores locais de Hu, Teng Biao, um advogado e conferencista que trabalhou em diversos casos do gênero, foi detido por homens em um carro sem placas na noite de quinta-feira, disse sua esposa Wang Liang a jornalistas na sexta-feira.

A polícia chinesa libertou Teng no sábado, depois que sua detenção secreta de dois dias atraiu críticas de defensores locais e internacionais dos direitos humanos.

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