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29/04/2008 - 10h10

Líder rebelde de Timor Leste se rende

Por Tito Belo

DILI (Reuters) - O líder do grupo rebelde acusado de tentar matar o presidente José Ramos-Horta se rendeu na terça-feira em Timor Leste, abrindo a perspectiva de que finalmente o jovem país alcance a estabilidade.

Gastão Salsinha e 12 de seus homens se entregaram ao vice-premiê José Luis Guterres, durante um encontro a portas fechadas na sede do governo, em Dili. Várias autoridades, inclusive o próprio Ramos-Horta, assistiram à reunião.

"Como indivíduo, não tenho ódio contra quem atirou em mim, eu o perdôo, mas como chefe de Estado [digo que] ele tem de enfrentar o tribunal para se explicar", acrescentou Ramos-Horta, que anteriormente identificava um dos rebeldes fugitivos como sendo o autor dos disparos.

O atentado contra o presidente de 58 anos, ganhador do Nobel da Paz, ocorreu em fevereiro, na casa dele, em Dili. Ramos-Horta voltou recentemente ao país, depois de passar dois meses se recuperando na Austrália.

"O povo quer saber quem lhes deu apoio na forma de uniformes, armas e balas", acrescentou Ramos-Horta, que irritou a vizinha Indonésia, ex-potência ocupante, por sugerir que elementos ligados a Jacarta estariam por trás dos atentados contra ele e contra o premiê Xanana Gusmão, que naquele mesmo dia escapou ileso de outro ataque.

Durante a rendição, os rebeldes entregaram armas, fardas camufladas, granadas e outros equipamentos militares.

Salsinha assumiu o comando dos rebeldes depois que o líder anterior, Alfredo Reinaldo, foi morto no atentado contra Ramos-Horta. Ele vinha negociando com as autoridades a partir de uma casa na localidade de Ermera, 75 quilômetros a oeste de Dili.

O dirigente rebelde afirmou que ele e seus homens haviam "se rendido à Justiça, não ao governo".

Havia mandados de prisão contra Salsinha, ex-tenente do Exército, e contra 22 outras pessoas por causa dos atentados contra Ramos-Horta e Xanana Gusmão.

Um major do Exército disse que dois rebeldes continuam foragidos.

O vice-premiê Guterres qualificou a rendição como "um grande dia para o povo do Timor Leste".

O pequeno Exército desta ex-colônia portuguesa se fragmentou em blocos regionais em 2006, quando cerca de 600 soldados foram exonerados, o que provocou uma onda de violência que matou 37 pessoas e fez 150 mil fugirem de suas casas. O governo pediu ajuda de tropas internacionais.

O analista político Rui da Cruz, da Universidade Nacional, elogiou a rendição, mas disse que o governo precisa se dedicar a levar os refugiados de volta para suas casas. "O Estado deve acelerar a Justiça para Salsinha e tomar medidas imediatas para resolver o problema dos refugiados internos", afirmou.

Timor Leste, que ficou independente de Portugal em 1975, mas permaneceu sob ocupação indonésia até 1999, só se tornou independente em 2002, depois de um intervalo sob administração da ONU. O pequeno país é um dos mais pobres do mundo, mas tem importantes reservas de petróleo e gás.

O Parlamento decidiu na semana passada suspender o estado de emergência que vigorava desde os atentados, mas o estado de alerta em Ermera foi prorrogado por um mês.

Refletindo a melhora na segurança, o governo da Austrália anunciou a decisão de retirar 200 soldados que haviam sido enviados depois dos atentados de fevereiro.

Mais de 2.500 soldados e policiais estrangeiros permanecem em Timor Leste para tentar ajudar as autoridades locais a manterem a ordem.

(Reportagem adicional de Ahmad Pathoni em Jacarta)

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