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08/05/2008 - 20h51

Premiê de Israel admite ter recebido dinheiro, mas não renuncia

Por Alastair Macdonald

JERUSALÉM (Reuters) - O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, admitiu na quinta-feira que recebeu dinheiro de um empresário norte-americano quando era prefeito de Jerusalém, mas disse que não renunciará.

Num dia de festa para o país por causa do 60o aniversário da criação de Israel, a polícia suspendeu o sigilo da investigação e divulgou detalhes das acusações que vão aumentar a pressão para que ele renuncie.

Mesmo que não o faça, a incerteza sobre seu futuro dificulta ainda mais o prosseguimento do processo de paz com os palestinos e cria constrangimentos às vésperas da chegada do presidente dos EUA, George W. Bush, na semana que vem.

Num pronunciamento convocado às pressas na sua casa em Jerusalém, já no final da noite, Olmert disse: "Nunca recebi subornos. Nunca peguei um centavo para mim mesmo".

"Fui eleito por vocês, os cidadãos de Israel, para ser primeiro-ministro. Não pretendo desprezar essa responsabilidade. Entretanto, embora não seja obrigado por lei, se o procurador-geral decidir me indiciar, eu vou renunciar."

Num ríspido pronunciamento de seis minutos, Olmert confirmou que recebeu dinheiro do investidor nova-iorquino Morris Talansky, mas insistiu que se tratava apenas de doações para financiar sua campanha de reeleição à prefeitura da cidade e à liderança do partido Likud.

Olmert não respondeu a perguntas dos jornalistas.

Minutos antes, a polícia havia dito em nota que "a investigação trata das suspeitas de que o primeiro-ministro recebeu somas consideráveis de dinheiro de um estrangeiro ou de um número de indivíduos estrangeiros ao longo de um período prolongado".

Um porta-voz policial citou Talansky como testemunha-chave, assim como Shula Zaken, secretário particular de Olmert, e Uri Messer, seu ex-sócio num escritório de advocacia.

A investigação se refere a fatos ocorridos entre 1998 e 2006, ano em que Olmert assumiu o governo.

Uma fonte judicial disse à Reuters que as somas envolvidas totalizam centenas de milhares de dólares.

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