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29/07/2008 - 21h18

Bin Laden usou entrevista à TV para se promover nos EUA

Por Randall Mikkelsen

BASE NAVAL DE GUANTÁNAMO, Cuba (Reuters) - Osama bin Laden deu uma entrevista à rede ABC, meses antes dos atentados da Al Qaeda contra embaixadas dos EUA na África, com o claro propósito de "se apresentar" à audiência norte-americana, disse em depoimento na terça-feira o autor da entrevista.

Em depoimento no tribunal militar de Guantánamo, o repórter John Miller -- hoje porta-voz do FBI -- contou sua epopéia para entrevistar Bin Laden em 28 de maio de 1998, em um esconderijo montanhoso do Afeganistão: para chegar até lá, ele pegou vários vôos no Paquistão, cruzou a fronteira à noite e viu disparos de metralhadoras em uma barreira montada pela Al Qaeda.

O testemunho dele é parte do julgamento de Salim Hamdan, ex-motorista de Bin Laden, acusado de conspiração e apoio material ao terrorismo.

Não ficou clara a importância do depoimento de Miller -- o promotor Lawrence Morris disse que "isso claramente cabe ao júri determinar". O jornalista disse não reconhecer Hamdan, que estava no plenário.

Num trecho da gravação exibido no tribunal, Miller diz a Bin Laden, num momento de bate-bapo informal enquanto seu cinegrafista tomava imagens de cobertura: "Você é como uma versão de Teddy Roosevelt do Oriente Médio".

A analogia se deve ao fato de que tanto o militante de origem saudita quanto o ex-presidente norte-americano terem sido filhos de famílias ricas que lutaram na linha de combate -- Roosevelt ganhou fama como coronel da cavalaria do Exército, em Cuba, durante a guerra de 1898 contra a Espanha.

Miller disse ter feito essa comparação -- que ele mesmo chamou de "absurda" -- para testar o conhecimento histórico de Bin Laden e para não deixar a conversar morrer. "Às vezes, quando se faz uma pergunta provocativa, você consegue uma resposta interessante." Mas no caso, segundo Miller, Bin Laden não mordeu a isca.

Na opinião do jornalista, a Al Qaeda queria "apresentar Osama Bin Laden à América, e assim foi".

O ex-correspondente disse ainda que na época Ayman Al Zawahri, braço-direito de Bin Laden, lhe disse que em algumas semanas ele veria o resultado dos recentes éditos religiosos do líder militante, segundo os quais era um dever dos muçulmanos "matar os norte-americanos e seus aliados -- civis e militares".

Pouco mais de dois meses depois, em 7 de agosto de 1998, caminhões-bomba da Al Qaeda destruíram as embaixadas dos EUA na Tanzânia e no Quênia.

Miller disse que depois dos atentados tentou uma segunda entrevista com Bin Laden, e que o colaborador da ABC no Paquistão recebeu um telefonema de Zawahri.

O júri não foi autorizado a ouvir a mensagem de Zawahri para o colaborador, pois essa peça foi qualificada como um mero boato. Advogados disseram, porém, que o sentido geral do recado foi o seguinte: "A guerra acaba de começar".

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