UOL Notícias Notícias
 

19/09/2008 - 20h32

McCain e Obama trocam farpas sobre crise em Wall Street

Por Jeff Mason

BLAINE, Estados Unidos (Reuters) - O candidato republicano John McCain propôs na sexta-feira regras mais rígidas para o setor financeiro e criticou seu rival democrata, Barack Obama, por não propor um plano claro contra a crise.

Obama, novamente à frente nas pesquisas, disse que não vai divulgar propostas específicas por enquanto, para que o Fed e o Departamento do Tesouro continuem seu trabalho "desimpedidos das brigas partidárias".

O democrata se reuniu na Flórida com vários economistas importantes, alguns deles integrantes do governo de Bill Clinton na década de 1990.

Em um comício em Blaine, Minnesota, McCain disse: "Hoje de manhã eu apresentei o meu plano para resolver os problemas e [fazer] nossa economia crescer. Mais ou menos na mesma hora o senador Obama disse que não vai oferecer um plano".

Obama manifestou apoio ao pacote de resgate de instituições financeiras pelo Fed e o Tesouro, e cobrou do governo medidas de apoio também a famílias trabalhadoras prejudicadas pelo preço da gasolina e dos alimentos.

O democrata disse a jornalistas que não apresentará um plano imediatamente porque isso precisa ser feito "de maneira inteligente, sistemática e refletida".

"Estou muito menos interessado a esta altura em marcar pontos políticos do que em realmente garantir que tenhamos uma estrutura sólida e que realmente funcione", disse.

Nesta semana, os democratas ironizaram McCain por declarar que os EUA têm fundamentos econômicos sólidos, enquanto poderosas instituições financeiras estavam à beira da falência.

Obama disse que seu rival "agora está um pouco em pânico" e "parece disposto a dizer ou fazer qualquer coisa."

Em discurso em Green Bay, Wisconsin, McCain disse que seu plano restaura a confiança da população no sistema financeiro, depois que "uma indesculpável falta de transparência financeira permitiu às firmas de Wall Street que adotassem um comportamento relapso que recheou seus lucros e engordou os bônus dos executivos quando os tempos eram bons", disse.

Ele defendeu que o Fed pare de ajudar instituições em crise e se preocupe mais em fortalecer o dólar.

Por outro lado, seu consultor econômico Doug Holtz-Eakin disse que McCain apóia o pacote de resgate esboçado pelo governo de George W. Bush e pelo Congresso. "Ele aprova todas as propostas que tratem responsavelmente desta crise", afirmou.

Ao longo de toda a sua carreira política, McCain sempre foi contra o excesso de regulamentações sobre a iniciativa privada, mas nos últimos dias passou a dar mais ênfase à necessidade de supervisão do setor financeiro.

BATALHA EM WALL STREET

A crise de Wall Street virou mais um ingrediente na acirrada batalha que Obama e McCain travam para as eleições de 4 de novembro, acusando-se mutuamente de terem participação nas causas do problema.

As pesquisas se voltaram a favor de Obama, anulando a pequena vantagem que McCain havia construído depois da Convenção Nacional Republicana.

Na sexta-feira, o republicano atacou seu adversário por suas ligações com James Johnson, ex-executivo-chefe da instituição hipotecária Fannie Mae, que neste mês recebeu uma injeção de capital do governo para poder sobreviver, junto com outra instituição conhecida como Freddie Mac.

Johnson chegou a comandar a busca por um candidato a vice na chapa de Obama, mas abandonou a função sob acusações de ter recebido empréstimos com taxas privilegiadas da Countrywide Financial, uma empresa envolvida na crise hipotecária nos EUA.

"Ouvimos muitas palavras do senador Obama ao longo da sua campanha, mas talvez só desta vez ele poderia nos poupar dos sermões e admitir que sua má avaliação contribuiu com esses problemas", disse McCain.

Obama, por sua vez, acusa McCain de contratar lobistas de Washington para defender sua campanha, e na sexta-feira sua campanha divulgou um email citando artigos em jornais segundo os quais o ex-lobista Rick Davis, coordenador da campanha republicana, teria se empenhado contra a regulamentação da Fannie Mae e do Freddie Mac.

(Reportagem adicional de John Whitesides)

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,59
    3,276
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,54
    61.673,49
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host