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10/10/2008 - 17h31 / Atualizada 09/06/2010 - 15h05

Morte de político comove o Iraque; Sadr acusa os EUA

Por Khaled Farhan

NAJAF, Iraque (Reuters) - O clérigo xiita Moqatada Al Sadr culpou na sexta-feira os Estados Unidos pelo assassinato de um parlamentar ligado a ele, vítima de um atentado a bomba na véspera.

No bairro de Sadr City, em Bagdá, homens choravam e gritavam palavras de ordem ao seguir o caixão de Saleh Al Ugaili, que foi levado coberto pela bandeira do Iraque para a cidade sagrada xiita de Najaf, no sul.

"O mártir dedicou a maior parte do seu tempo a expulsar os ocupantes. E por esta razão a mão da odiosa ocupação e do terrorismo o matou", disse Sadr em nota lida quando centenas de seguidores se reuniam para sepultar Ugaili.

"Deus é o maior, a América é inimiga de Deus", gritavam os participantes da cerimônia em Najaf, depois das preces de sexta-feira, as mais importantes da semana.

Ninguém assumiu a autoria da explosão que matou Ugaili na quinta-feira no bairro de Habibiya, na zona leste da capital. Várias explosões atingem Bagdá nas últimas semanas. Na sexta-feira, um carro-bomba matou 12 pessoas e feriu 22 no bairro comercial de Abu Dsheer, na zona sul, segundo a polícia. Em Mosul (norte), duas bombas mataram 4 pessoas e feriram 15.

O assassinato de Ugaili foi lamentado pelo embaixador dos EUA em Bagdá, Ryan Crocker, e pelo comandante militar Ray Odierno, segundo quem esse "crime hediondo" é "um ataque contra as instituições democráticas do Iraque".

Durante a noite, houve confrontos entre homens armados e forças dos EUA e do Iraque em Sadr City. Os militares norte-americanos disseram ter tido uma baixa (não ficou claro se o soldado em questão morreu ou ficou ferido).

Ugaili era um dos 30 membros da bancada sadrista no Parlamento, onde há no total 275 deputados. Um colega dele disse que o assassinato pode estar relacionado às eleições regionais de janeiro, em se prevê uma disputa entre facções xiitas rivais pelo poder no sul do país, rico em petróleo.

Um professor de Ciência Política da Universidade de Bagdá disse, pedindo anonimato por temer represálias, que o atentado pode ter sido resultado de "um conflito interno no movimento sadrista...ou por uma luta de poder entre os xiitas pelo controle das ruas antes das eleições".

O general Michael Oates, comandante dos EUA no sul do Iraque, disse na quinta-feira que as forças norte-americanas temem uma onda de homicídios políticos até janeiro.

A violência no país está em seu menor nível nos últimos quatro anos, mas atentados e tiroteios continuam ocorrendo diariamente, especialmente no norte. O mandato da ONU que garante a presença militar dos EUA no país termina no fim do ano, e autoridades de Washington e Bagdá discutem uma prorrogação.

(Reportagem adicional de Waleed Ibrahim em Bagdá)

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