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04/11/2008 - 11h20

Orador talentoso, Obama pode fazer história nos EUA

Da Reuters
Em Washington (EUA)
Barack Obama estreou no cenário nacional quatro anos atrás com um discurso no qual descrevia a si próprio, de forma depreciativa, como um cara magrelo, de nome estranho e uma improvável história de vida. Na terça-feira, Obama pode fazer história ao tornar-se o primeiro presidente negro a comandar os EUA.

Nascido no Havaí de uma mãe branca do Kansas e de um pai negro do Quênia, o hoje candidato passou grande parte de sua infância na Indonésia.

No discurso de 2004, proferido na Convenção Nacional Democrata e que lhe conferiu o status de estrela do rock, Obama apresentou-se aos EUA como alguém que esperava sanar as divisões políticas e raciais. "Em nenhum outro país da Terra a minha história seria possível", afirmou o democrata, referindo-se a sua miscigenação como uma metáfora de seu apelo por unidade.

"Não há uma América liberal e uma América conservadora -- há os Estados Unidos da América", disse. "Não há uma América negra e uma América branca e uma América latina e uma América asiática -- há os Estados Unidos da América." O senador em primeiro mandato pelo Estado de Illinois, conhecido por sua eloquência comovente, hoje atrai dezenas de milhares de pessoas para seus comícios de campanha e é o autor de dois livros autobiográficos que entraram na lista de best-sellers.

Para seus simpatizantes, Obama é um político único e estimulante como o presidente John F. Kennedy e o irmão dele Robert, ambos assassinados na década de 1960. Para seus adversários, entre os quais o republicano John McCain (rival dele na corrida presidencial), o democrata não passa de uma celebridade com um currículo pouco extenso, de um orador eloquente que defende uma política externa "ingênua" e políticas econômicas "socialistas".

No entanto, se Obama, que aparece bastante à frente de McCain nas pesquisas, sair-se nas urnas tão bem quanto prevêem os números, o senador pelo Estado do Arizona e herói de guerra se tornará o mais recente de uma série de políticos a ter subestimado o candidato democrata.

Essa lista inclui a senadora por Nova York Hillary Clinton, ex-primeira-dama do país derrotada por Obama nas prévias democratas. Foi no Havaí que a mãe de Obama, Ann Dunham, conheceu o pai dele, Barack Obama Sr., filho de uma família de criadores de cabra do Quênia que conseguiu uma bolsa de estudos nos EUA.

Os dois casaram-se e tiveram um filho quando Ann tinha apenas 18 anos de idade. Dois anos mais tarde, o pai de Obama abandonou a família e a mãe dele criou-o com a ajuda dos avós do hoje candidato.

Doação de alimentos e aulas de madrugada
Obama conta que sua mãe teve de valer-se de cupons de alimentos para conseguir sobreviver enquanto o filho crescia. Assim que a família mudou-se para a Indonésia quando Ann casou-se novamente, a mãe dele costumava acordá-lo às 4h da madrugada para dar-lhe aulas. A família ficaria no país asiático durante quatro anos.

A mãe e os avós de Obama conseguiram uma bolsa que o permitiu frequentar a prestigiosa Escola Punahou, em Honolulu. O democrata mais tarde estudou na Universidade Columbia e na Faculdade de Direito Harvard.

Obama passou seus primeiros anos da fase adulta trabalhando como organizador comunitário em Chicago, onde mora com sua mulher, Michelle, e com as duas filhas do casal, Malia, 10, e Sasha, 7. Ele ganhou destaque no cenário nacional pela primeira vez em 1990, quando se tornou o primeiro negro a ocupar o cargo de editor da Harvard Law Review.

Mais tarde, Obama trabalhou como advogado dos direitos civis e deu aula de direito constitucional na Universidade de Chicago. Ele elegeu-se para o Senado de Illinois em 1996, mas se viu derrotado em 2000, quando concorreu para o Congresso norte-americano contra um democrata que tentava continuar no cargo.

No entanto, em 2004, conseguiu eleger-se para o Senado dos EUA. Usando diários nos quais costumava registrar notas sobre suas viagens e experiências, Obama escreveu "A Origem dos Meus Sonhos", que trata principalmente da busca dele por identidade e dos seus esforços para ligar-se às raízes de seu pai na África.

O livro, de 1995, mostrou o estilo lírico de composição que mais tarde caracterizaria alguns de seus discursos mais famosos. E também ajudou a dar contornos à identidade política de Obama. Em "A Audácia da Esperança", publicado nos EUA em 2006, Obama apresenta em linhas gerais sua filosofia política, que teria sido moldada com os valores do Meio-Oeste defendidos pela mãe e pelos avós dele. O grande volume de venda dos dois livros fez do candidato um milionário.

O democrata deixou claro que não se serviria da questão racial durante sua campanha, mas a candidatura dele empolgou muitos negros, que formam cerca de 12 por cento da população norte-americana. A questão racial reapareceu algumas vezes, entre elas durante as prévias do Partido Democrata, nas quais Obama derrotou Hillary Clinton.

O candidato viu-se criticado quando surgiram gravações de vídeo com o reverendo Jeremiah Wright, ex-pastor dele, fazendo declarações racialmente carregadas a respeito dos brancos.

Tratando então da polêmica, Obama fez em março um discurso altamente elogiado e no qual pediu o fim dos conflitos raciais. Como havia feito Hillary nas prévias democratas, McCain tentou usar a reputação de bom orador do candidato contra o próprio, sugerindo que tudo não passava de palavras vazias, sem substância.

No entanto, a pior crise financeira a atingir o mundo desde a Grande Depressão fez com que Obama disparasse nas pesquisas e conquistasse muitos eleitores mais com sua resposta aos problemas. O democrata ainda se beneficiou da indignação dos norte-americanos com as políticas do atual presidente do país, George W. Bush, membro do Partido Republicano.

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