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08/11/2008 - 13h57

Mortos em desmoronamento de escola do Haiti chegam a 75

Por Joseph Guyler Delva

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Subiu para pelo menos 75, neste sábado, o número de mortos na escola que desmoronou no Haiti, quando os homens que trabalhavam no resgate descobriram uma sala em meio aos destroços com mais 17 pessoas mortas, a maioria crianças, afirmaram as autoridades.

A equipe de resgate trabalhou durante a noite inteira sob as luzes de um gerador gigante à procura de sobreviventes na escola La Promesse, situada numa cidadezinha nos arredores da capital haitiana, que desmoronou na sexta-feira durante as aulas.

Escombros do edifício foram parar nas casas vizinhas na comunidade de Nerettes, próxima da capital Porto Príncipe.

O presidente René Preval, que esteve no local no sábado de manhã, disse que os trabalhadores passaram água e biscoitos através de buracos para um grupo de crianças e concentraram seus esforços em alcançá-las.

"Na noite passada, tínhamos certeza de que havia sete crianças com vida. Nós resgatamos uma, mas perdemos todos os sinais de que as outras seis estão vivas," afirmou Preval. "Alguns dizem que elas podem estar dormindo. Outros acreditam que estão mortas."

Enquanto Preval falava, Yves Torchon, da equipe de resgate, trouxe mais más notícias.

"Senhor presidente, eles acabaram de descobrir uma sala onde há pelo menos 17 pessoas mortas," disse Torchon. Ele alertou que a contagem provavelmente subiria.

Pelo menos 124 pessoas estavam feridas. Autoridades afirmaram que havia 700 crianças na escola, mas era desconhecido quantas delas estavam dentro do prédio na hora do desmoronamento.

"Foi como um terremoto," disse o general brasileiro Carlos dos Santos Cruz, comandante das forças de ONU no Haiti.

MULTIDÃO DE PARENTES

Uma multidão de parentes gritando e chorando avançou sobre as ruínas à procura de suas crianças. Corpos de estudantes estavam sob blocos de concreto.

"Isso realmente machuca seu coração ao ver aquelas crianças sob os escombros sem ser capaz de ajudá-las," lamentou Pavel. "Como pai, é devastador ver um desastre como este."

Um garoto ficou preso por um pedaço de concreto que ficou sobre suas pernas. Ele implorou ao resgate que, "por favor", cortassem seus pés," contou um bombeiro à Reuters.

Um integrante da equipe de resgate disse que entre os mortos está uma sala inteira de filosofia exceto uma garota, que estava viva porque foi ao banheiro pouco antes do desmoronamento.

Uma equipe de resgate da Martinica, ilha francesa caribenha, chegou ao local para ajudar a furar e passar pelos destroços. Uma equipe dos Estados Unidos também era esperada.

As ruas ao redor da escola estavam numa confusão tão grande, com pessoas procurando por parentes, que os bombeiros tiveram de ser levado de helicóptero.

"Meu filho tem 15 anos de idade e está morto. Ele era meu único filho," chorava Josiane Dandin, de 40 anos. "Não sei o que vou fazer."

Outra mulher gritava por sua filha desaparecida de 12 anos. "Eu não sei se ela está viva ou morta," disse ela.

Mais de nove mil homens formam as tropas multinacionais e polícia que integram a força de paz da ONU para estabilizar o Haiti depois que seu antigo presidente foi deposto durante uma rebelião sangrenta em 2004.

O empobrecido país do Caribe não tem equipamentos de resgate sofisticados. O Haiti ainda luta contra a destruição causada por quatro tempestades tropicais e furacões que o atingiram sucessivamente este ano, matando mais de 800 pessoas e destruindo 60 por cento da colheita.

(Tradução Redação São Paulo; +55 11 5644-7712)

REUTERS AAP

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