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14/11/2008 - 09h57

Desempregado vira herói após desabamento de escola no Haiti

Por Joseph Guyler Delva

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Um desempregado que arriscou a vida para retirar crianças dos escombros de uma escola que desabou está sendo tratado como herói nacional nesta semana pela população do miserável Haiti.

Mais de 90 pessoas morreram no desabamento da escola La Promesse, que era um precário prédio de três andares no meio de uma favela da periferia de Porto Príncipe.

Ronaldo Charilus, de 29 anos, disse ter corrido para os escombros logo depois do desabamento, ocorrido há uma semana.

"Chegando lá, rezei e disse para mim mesmo que a minha vida já não era mais minha. Eu a deixei nas mãos de Deus", disse Charilus à Reuters. "E daquele momento em diante, parei de pensar na minha vida para pensar nas vidas das crianças inocentes."

"Ronaldo, o Herói", como foi apelidado pela imprensa local, salvou dezenas de crianças presas nos escombros, enquanto colocava sua vida sob um risco quase constante, segundo relatos de numerosas testemunhas.

O presidente René Préval, que já esteve no local várias vezes, disse na quinta-feira numa cerimônia no Palácio Nacional que Charilus foi incansável. "O jovem estava em todas as partes. Trabalhou com tanta energia que chamou minha atenção", disse o presidente, lembrando que o herói é um desempregado como tantos outros do país.

"Quando perguntei a Ronaldo se ele havia dormido, ele me respondeu: 'Sr. presidente, não consigo dormir nem conseguirei enquanto souber que ainda tem gente presa nos escombros'", contou Préval.

Vários membros das equipes de resgate também foram condecorados na cerimônia de quinta-feira, mas Charilus claramente era o astro.

"Ele se arrastou como uma cobra pelos escombros e se esgueirou em buracos dos quais não sabia se conseguiria sair", disse Gael Pinson, que trabalhou ao lado de Charilus na escola.

O desastre, atribuído a falhas na construção, ocorre num momento em que o Haiti ainda tenta se recuperar de uma seqüência de quatro tempestades tropicais que mataram mais de 800 pessoas e destruíram 60 por cento das lavouras do país, em agosto e setembro.

Charilus, pai de uma menina de 8 anos e de um menino de 5, disse que agiu como se os seus próprios filhos fossem as vítimas da tragédia. "Vocês sabem que não há nada que um pai amoroso e responsável não faça para salvar seus filhos do perigo imediato", afirmou.

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