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21/11/2008 - 18h42

ENTREVISTA-Gaza está à beira de desastre humanitário, diz ONU

Por Suleiman Al Khalidi

AMÃ (Reuters) - Gaza enfrentará uma "catástrofe" humanitária se Israel continuar impedindo a entrada de ajuda no território, disse na sexta-feira a comissária-geral da UNRWA, principal agência da ONU para o apoio aos palestinos.

Kaben AbuZayd disse que os prejuízos humanos provocados pela interdição da fronteira neste mês são os mais graves desde os primeiros dias da atual rebelião palestina, oito anos atrás.

"Ela está fechada por muito mais tempo do que já passou antes..., e não temos nada nos nossos estoques...Será uma catástrofe se isso persistir, um desastre", disse AbuZayd.

Israel fechou as fronteiras de Gaza como retaliação aos disparos de foguetes contra suas cidades, o que por sua vez era uma resposta dos militantes à incursão militar de 4 de novembro no território, onde até então vigorou durante cinco meses uma trégua mediada pelo Egito.

Atualmente, a UNRWA fornece alimentos a 820 mil pessoas consideradas refugiadas, enquanto o Programa Mundial de Alimentos ajuda outras 200 mil, disse AbuZayd à Reuters em Amã.

" sempre nos deixam à beira do precipício, mas nunca haviam nos deixado realmente assustados sobre se teremos comida amanhã ou não", disse ela.

"Em todo esse tempo de trégua desde junho, nenhum de nós conseguiu nada de extra para criar uma reserva, então não temos nada a que recorrer", acrescentou ela.

Israel também impede a entrega do combustível pago pela União Européia para a usina elétrica de Gaza, que gera cerca de um terço da energia consumida no território. O resto vem de Israel, que manteve o fornecimento, e do Egito.

As cestas básicas da UNRWA, que representam cerca de 60 por cento das necessidades alimentícias das famílias, se esgotaram, segundo AbuZayd. A maior parte da farinha que resta nos moinhos deve ser consumida até o final do mês.

Doenças ligadas à má alimentação começaram a surgir entre os 1,5 milhão de habitantes da miserável região.

"Há um problema crônico de anemia. Há sinais que estão aumentando. O que estamos começando a notar é o que chamamos de atraso das crianças ...o que significa que não estão comendo bem o suficiente para serem tão grandes quanto os seus pais", disse AbuZayd.

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