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09/01/2009 - 18h23

ANÁLISE-BB encerra capítulo da consolidação bancária no Brasil

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A compra de 50 por cento do banco Votorantim pelo Banco do Brasil por 4,2 bilhões de reais, anunciada nesta sexta-feira, conclui mais um capítulo do processo de consolidação bancária no Brasil, acirrando a briga pelas primeiras posições do ranking.

Aberta em outubro de 2007 com a compra do ABN Amro Real pelo Santander, essa última rodada ganhou força no último trimestre do ano passado, na esteira da crise global.

Tudo com a bênção do governo federal, que editou uma série de medidas para facilitar o processo, incluindo a Medida Provisória permitindo que bancos federais pudessem comprar participações em instituições privadas.

"O fortalecimento do sistema bancário no Brasil é importante diante dessa crise", afirmou o ministro da Fazenda Guido Mantega a jornalistas, ao comentar a compra do Votorantim pelo BB, a segunda compra do banco estatal em menos de dois meses.

Em novembro, o BB já oficializara a aquisição do também estatal Nossa Caixa junto ao governo de São Paulo por 5,39 bilhões de reais. Antes, já havia comprado pequenos bancos estaduais, como o Banco do Estado do Piauí (BEP) e o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc).

Com tudo isso, o BB chegou à marca de 553,3 bilhões de reais em ativos, número insuficiente no entanto para retomar a liderança do setor que lhe foi tomada em novembro, quando Itaú e Unibanco anunciaram uma fusão que criou um dos 20 maiores conglomerados financeiros do mundo, com cerca de 575 bilhões de reais em ativos.

O processo de consolidação foi também intensificado em outra frente. Com as portas fechadas para continuar financiando operações, os bancos menores foram obrigados a repassar suas carteiras para instituições com maior escala, a reboque do afrouxamento nos depósitos compulsórios, que liberou ao sistema cerca de 100 bilhões de reais.

Para João Augusto Frota Salles, analista sênior da consultoria RiskBank, passado o que até agora parece ser o olho do furacão e dada a ausência de possibilidades viáveis de novas transações no curto prazo, a concentração bancária no Brasil deve entrar em recesso.

Segundo ele, de um lado, os grandes players internacionais que atuam no varejo, como Citibank e HSBC, embora enfraquecidos internacionalmente, não dão mostras de que pretendam se desfazer de suas operações no Brasil.

De outro, bancos de pequeno e médio portes tendem a se especializar em nichos de mercado, seja em crédito consignado, empréstimos a empresas ou financiamento a compra de automóveis.

"No médio prazo, consolidação bancária no Brasil, pelo menos a que foi provocada pela crise, acabou", diz.

Mas o país sairá da crise com um processo de concentração não desprezível. Em setembro, antes das grandes fusões recentes, os cinco maiores bancos do país detinham 75 por cento dos depósitos do sistema financeiro nacional. Agora, apenas os grupos Itaú-Unibanco e BB detêm quase metade do total.

(Edição de Renato Andrade)

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