UOL Notícias Notícias
 

26/02/2009 - 15h03

ENTREVISTA-Assessor de Netanyahu vê nova estratégia na região

Por Jeffrey Heller e Alastair Macdonald

JERUSALÉM (Reuters) - Benjamin Netanyahu agirá de forma agressiva a fim de melhorar a economia palestina assim que se tornar primeiro-ministro de Israel, disse à Reuters o assessor Dore Gold, dando ênfase a uma nova abordagem para o processo de paz apoiado pelos Estados Unidos.

Gold afirmou que, embora Netanyahu deva fazer do programa nuclear do Irã sua 'prioridade máxima', ele não negligenciará a questão palestina mesmo que vislumbre um Estado apenas com poderes soberanos limitados.

"Acredito que o ponto-chave para o sr. Netanyahu é que, uma vez no cargo de primeiro-ministro, ele buscará agir de forma agressiva no front econômico, tentando melhorar as condições locais para os palestinos", disse Gold na noite de quarta-feira.

Netanyahu, líder do partido de direita Likud que já foi primeiro-ministro entre 1996 e 1999, foi indicado pelo presidente Shimon Peres para formar um governo após a eleição de 10 de fevereiro.

Líderes palestinos disseram se opor ao desejo de Netanyahu de mudar o enfoque das conversações de paz das questões territoriais - que têm frustrado os negociadores - ao que ele argumenta ser uma tarefa mais fácil, que é a de reforçar a economia palestina.

"Se a comunidade internacional for além da retórica usual associada ao processo de paz árabe-israelense e observar a realidade local, acredito que entenderá a lógica da política do sr. Netanyahu", afirmou Gold.

"Não se esqueçam, já passamos por seis premiês israelenses, dois presidentes americanos, e ninguém firmou um acordo de paz desde 1993", disse ele.

Gold afirmou que Netanyahu "tem algumas idéias muito específicas nessa área", mas um plano detalhado terá de aguardar consultas com oficiais de segurança israelenses depois que ele assumir o poder.

EM BUSCA DA COALIZÃO

Netanyahu tem tentado organizar uma coalizão que inclua o partido de centro Kadima, da chanceler que deixa o governo, Tzipi Livni, em um governo moderado capaz de reduzir as possibilidades de atrito com a administração Obama, que prometeu se empenhar para obter um acordo sobre um Estado palestino.

Mas Livni deseja o compromisso claro de Netanyahu de que ele trabalhe ativamente nas negociações de paz em troca de terra - algo que os palestinos também querem.

Netanyahu falou apenas em termos gerais sobre um Estado palestino, o qual disse que teria soberania limitada e seria desmilitarizado.

Defensor dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, ele não detalhou seu ponto de vista sobre as futuras fronteiras.

"Netanyahu não está interessado em semântica - 'Estado' palestino versus algum outro rótulo", disse Gold, que nasceu nos EUA, já foi embaixador de Israel na Organização das Nações Unidas e agora aconselha Netanyahu sobre política externa.

"Ele está pensando nos poderes de um Estado palestino. E o que é essencial para ele é que os palestinos tenham todos os poderes necessários para gozar de um auto-governo, mas nenhum dos poderes que minem a segurança do Estado de Israel."

"Algumas pessoas mencionam de cara um 'Estado' palestino, depois tentam subtrair os poderes implícitos no uso que elas fazem da palavra Estado. A abordagem do sr. Netanyahu, de certa forma, é mais honesta", acrescentou.

Questionado sobre o que Israel e os EUA percebem como uma busca do Irã por armas nucleares, Gold disse que Netanyahu encontrou-se duas vezes como líder da oposição com Barack Obama antes de ele se tornar presidente dos Estados Unidos e o Irã esteve no centro das discussões.

"Tenho certeza de que o sr. Netanyahu se sente seguro nas garantias que o presidente Obama apresentou publicamente de que a obtenção de armas nucleares pelo Irã poderia representar uma virada no jogo e desequilibrar as forças na região", disse ele.

Acredita-se que Israel seja o único país do Oriente Médio com armas nucleares.

A respeito da possibilidade de um ataque de Israel contra o Irã, que nega estar em busca de armas atômicas, Gold afirmou: "Isso obviamente é uma questão que depende da inteligência mais delicada, que o primeiro-ministro teria de obter ao assumir o cargo."

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,84
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,35
    68.594,30
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host