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09/03/2009 - 11h26

Defensores das células-tronco finalmente têm seu "momento Obama"

Por Maggie Fox, editora de saúde e ciência

WASHINGTON (Reuters) - O Dr. Irving Weissman está tão entusiasmado que atravessou o país de avião para estar presente ao evento. Larry Soller, da Fundação de Pesquisas sobre Diabetes Juvenil, vai transmitir suas impressões por Twitter.

Outros especialistas estão enviando e-mails repletos de pontos de exclamação.

Eles estão todos arrebatados com a decisão tomada pelo presidente Barack Obama de levantar algumas das restrições ao financiamento federal das pesquisas com células-tronco embrionárias humanas, ainda nesta segunda-feira.

Os pesquisadores terão destaque entre o público de políticos e defensores convidados a assistir ao anúncio na Casa Branca.

"Venho trabalhando duro há oito anos para combater a proibição, e agora quero estar presente", disse Weissman, diretor do Instituto de Biologia de Células-Tronco e Medicina Regenerativa da Universidade Stanford.

"Vamos poder revogar a burocracia estabelecida para examinar cada compra por cada laboratório e poderemos avançar com estas pesquisas importantes."

Em agosto de 2001, o então presidente George W. Bush revogou uma decisão dos Institutos Nacionais de Saúde de permitir que pesquisadores financiados com verbas federais trabalhassem com células-tronco embrionárias humanas. Bush e outros fazem objeção ética e religiosa ao uso das células-tronco, porque elas vêm de embriões humanos.

Bush decidiu que os pesquisadores só poderiam usar lotes já existentes das células, capazes de metamorfosear-se em qualquer tipo de célula ou tecido do corpo.

LUCROS IMEDIATOS

Michael West, da BioTime, empresa de biotecnologia de Alameda, Califórnia, diz que sua companhia vai beneficiar-se quase imediatamente da decisão de Obama.

Ela acaba de comprar dezenas de lotes de células-tronco de uma clínica de fertilidade em Chicago e quer vendê-las a pesquisadores que agora poderão trabalhar com elas.

As células vêm de embriões portadores dos genes de fibrose cística, distrofia muscular Duchenne, câncer mamário, doença de Huntington e outras -- embriões criados por fertilização in vitro.

"Seria antiético implantar esses embriões, sabendo que seria criada uma criança portadora de uma doença devastadora," disse West em entrevista telefônica.

Mas essas células são perfeitas para o estudo dessas doenças, na esperança de algum dia curar ou preveni-las. Pelas restrições impostas por Bush, pesquisadores que trabalham com verbas federais não poderiam tê-las usado.

Susan Solomon, da Fundação Nova York de Células-Tronco, espera que o Congresso trabalhe para levantar as restrições remanescentes às pesquisas com células-tronco embrionárias.

Uma emenda incluída anualmente no orçamento do Departamento de Saúde e Serviços Humanos proíbe o uso de verbas federais para pesquisas que envolvam diretamente embriões humanos. Isso significa que os pesquisadores que trabalham com verbas federais não podem produzir células-tronco embrionárias, mas têm que comprá-las.

"O presidente está fazendo tudo o que pode fazer sozinho", disse Solomon em entrevista. "Esperemos que ele proporcione ao Congresso o tipo de ambiente necessário para este fazer a coisa certa."

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