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12/03/2009 - 15h04

Polícia alemã pode acusar pai de garoto que matou 15

Por Nicola Leske

WINNENDEN, Alemanha (Reuters) - Autoridades alemãs estão avaliando se apresentam acusações formais contra um colecionador de armas, pai de um adolescente que promoveu um massacre em seu ex-colégio na quarta-feira, matando 15 pessoas.

O motivo do ataque de Tim Kretschmer, de 17 anos, ainda é incerto um dia depois do massacre ocorrido na cidade de Winnenden, no sudoeste do país.

O adolescente, que os vizinhos descreveram como um garoto isolado e com gosto por vídeos violentos, aparentemente suicidou-se após a polícia ter entrado em confronto com ele, horas depois de o adolescente fugir do colégio e sequestrar um carro.

Kretschmer usou no massacre uma pistola Beretta 9 milímetros, legalmente registrada e cujo dono era o seu pai, membro de um clube de tiro.

A polícia afirmou que as outras 14 armas do pai estavam trancadas em um closet, como exigido pelas leis alemãs, mas que ele mantinha a Beretta em seu quarto.

"Tudo aqui aponta para negligência por parte do pai no que diz respeito ao armazenamento de suas armas", afirmou o porta-voz da polícia Ralf Michelfelder.

Ele disse que agora está nas mãos dos promotores locais decidir se apresentam acusações contra o pai do garoto.

A Alemanha endureceu as suas leis de posse de armas em 2002, após Robert Steinhauser, um garoto de 19 anos, ter matado 16 pessoas, a maioria professores, em um colégio na cidade alemã de Erfurt, no leste do país. Nesse caso, o agressor se matou em seguida.

As mudanças elevaram a idade mínima para posse de armas de 18 para 21 anos e exigiram que os compradores de armamentos abaixo de 25 anos apresentem um certificado de saúde física e mental.

As leis de controles de armas da Alemanha já exigem que os requerentes passem por rigorosos exames que podem levar até um ano para serem finalizados. Mesmo assim, cerca de oito milhões de pessoas possuem armas de forma legal no país, uma em cada dez pessoas.

As escolas permaneceram fechadas em Winnenden nesta quinta-feira, mas os estudantes foram ao Albertville Realschule, cenário do massacre, com flores, velas, CDs e bichinhos de pelúcia. Alguns permaneceram em um silencioso luto, outros choraram e outros abraçaram amigos e pais.

A polícia disse nesta quinta-feira que Kretschmer disparou 60 tiros na escola depois de entrar em uma sala de aula por volta das 9h30 (horário local). Ele atirou em várias de suas vítimas na cabeça a curta distância e aparentemente tinha as mulheres como alvo.

Oito dos nove estudantes mortos e as três professoras que matou eram do sexo feminino.

Quando a polícia chegou à escola, Kretschmer fugiu, atirou em outra pessoa em frente a uma clínica psiquiatra e depois forçou um motorista a levá-lo para fora de Winnenden, uma cidade de 27.000 habitantes localizada perto de Stuttgart.

Ele desceu do carro que sequestrou em Wendlingen, a cerca de 30 quilômetros do colégio, atirou em dois homens em uma loja de carros e feriu com gravidade dois policiais antes de aparentemente ter tirado a sua própria vida.

Um vídeo amador que gravou os seus momentos finais foi publicado por emissoras de televisão e websites.

(Reportagem adicional de Kerstin Gehmlich; escrito por Noah Barkin; edição de Andrew Roche)

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