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19/06/2009 - 21h53

Alerta de aiatolá põe em risco protesto de Mousavi no Irã

Por Dominic Evans e Fredrik Dahl

TEERÃ (Reuters) - Eleitores do candidato presidencial derrotado Mirhossein Mousavi decidirão no sábado se desafiam o rigoroso alerta da maior autoridade do Irã para realizar protestos de massa contra a polêmica eleição.

O mais alto órgão legislativo do Irã realizará na manhã de sábado uma sessão extraordinária, para a qual foram convidados Mousavi e os dois outros candidatos derrotados pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad na eleição de 12 de junho que Mousavi quer anular.

O líder supremo aiatolá Ali Khamenei exigiu o fim dos protestos nesta sexta-feira, fazendo o duro alerta aos líderes das manifestações de que eles serão responsáveis por qualquer derramamento de sangue.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou a violência praticada pelas forças de segurança e acredita que os iranianos devem ser livres para protestar, disse seu porta-voz nesta sexta-feira após o discurso de Khamenei. A resposta norte-americana endureceu o tom da Casa Branca sobre os eventos ocorridos após a eleição no Irã.

As palavras de Khamenei parecem sugerir uma repressão futura aos protestos por parte das autoridades. Khamenei declarou que a eleição foi vencida de forma limpa por Ahmadinejad, sem as fraudes alegadas por Mousavi para anular o pleito.

Outro candidato derrotado, Mehdi Karoubi, pediu em carta aberta ao órgão legislativo Conselho dos Guardiães que a eleição seja cancelada.

Não havia uma resposta imediata dos seguidores de Mousavi sobre se eles manterão o protesto planejado para as 16h de sábado (8h30 horário de Brasília) no centro de Teerã.

Um aliado de Mousavi disse que ele não está pedindo que as pessoas voltem às ruas novamente. "Mousavi não planeja realizar um protesto amanhã ou depois de amanhã", contou à Reuters.

Mas seus seguidores podem decidir aparecer de qualquer maneira, como dezenas de milhares de pessoas fizeram na terça-feira apesar do pedido de Mousavi para que continuassem em casa.

Se continuarem em desafio ao alerta explícito de Khamenei, eles se arriscam a uma resposta severa das forças de segurança, que até agora não tentaram combater os protestos mais amplos no país desde a Revolução Islâmica de 1979.

A mídia estatal tem reportado que sete ou oito pessoas foram mortas desde o início dos protestos, provocados pela divulgação em 13 de junho do resultado oficial da eleição e com manifestações de seguidores de Mousavi em várias cidades iranianas.

Vários reformistas foram presos, e as autoridades têm reprimido a imprensa nacional e internacional.

Em sinal de desafio, apoiadores de Mousavi subiram em telhados de Teerã após o por-do-sol nesta sexta-feira para gritar Allahu Akbar (Deus é o maior), ecoando uma tática da Revolução Islâmica de 1979.

(Reportagem adicional de Dominic Evans e Hashem Kalantari)

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