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05/08/2009 - 20h33

Nova técnica fornece "visão geral" do genoma do HIV

Por Maggie Fox

WASHINGTON (Reuters) - Uma nova técnica permitiu pela primeira vez a decodificação de todo o mapa genético do vírus da Aids, permitindo que os cientistas tenham uma visão geral desse genoma.

Isso pode não só levar a novos tratamentos contra essa doença fatal e incurável, mas também contra outros vírus, como os das gripes, disseram pesquisadores da quarta-feira.

"Estamos esperançosos de que isso irá abrir muitas novas oportunidades para a descoberta de drogas," disse por telefone Kevin Weeks, da Universidade da Carolina do Norte, que comandou a pesquisa. "Temos uma grande lista de coisas que podemos tentar."

O vírus HIV, que causa a Aids, é parte dos chamados RNA-vírus, a exemplo dos vírus da influenza, da pólio e dos resfriados comuns. Isso significa que seu genoma se compõe de RNA, e não de DNA.

O DNA depende de "tijolos" chamados nucleotídeos, que transmitem a informação sobre duas tiras. Essas unidades básicas são conhecidas pelas siglas A, C, T e G. Já o RNA tem apenas uma tira e depende não só dos nucleotídeos, mas também de um complexo padrão de dobraduras para transmitir a informação.

"Há tanta estrutura no genoma de RNA do HIV que isso quase certamente desempenha um papel até agora despercebido na expressão do código genético", disse Weeks.

Sua equipe desenvolveu um novo método químico chamado Shape ("forma"), que realiza uma imagem não só dos nucleotídeos do RNA, mas também das formas e dobras da tira de RNA.

Outros métodos de imagens, como a cristalografia por raios-X, pode capturar a posição precisa de cada átomo, mas só em uma pequena área de cada vez. O Shape obtém uma visão mais geral, mas não em nível atômico, segundo Weeks.

"A técnica é, portanto, parecida com reduzir o zoom de um mapa e obter uma visão mais ampla da paisagem, à custa dos detalhes finos", escreveu Hashim Al Hashimi, da Universidade de Michigan, em um comentário acerca das descobertas, publicadas na revista Nature.

Os RNA-vírus são especialmente difíceis de derrotar, e a nova técnica pode permitir novas abordagens, interrompendo sequências curtas do vírus. "Em curto prazo, ela quase certamente tornará mais fácil desenvolver (drogas de) interferência curta no RNA."

Essas drogas, conhecidas pela sigla em inglês siRNAs, impedem o funcionamento do RNA e podem agir sobre células defeituosas ou sobre bactérias e vírus.

Empresas como Merck e Silence Therapeutics atuam nessa estratégia. "SiRNAs podem ser muito potentes", disse Weeks. "Eles são caros de produzir, mas são relativamente fáceis de desenvolver."

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