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26/08/2009 - 10h56

Senador Edward Kennedy morre aos 77 anos

Por Scott Malone

BOSTON (Reuters) - O senador norte-americano Edward Kennedy, uma das principais lideranças do Partido Democrata, morreu na noite de terça-feira aos 77 anos, informou sua família. Na década de 1960, ele assumiu o comando de uma das famílias políticas mais importantes dos EUA após os assassinatos de seus dois irmãos mais velhos.

"Edward M. Kennedy, o marido, pai, avô, irmão e tio que nós amávamos tão profundamente, morreu no final da noite na terça-feira, em casa, em Hyannis Port (Massachusetts)," informou a família Kennedy em comunicado divulgado nesta quarta-feira.

Um dos senadores mais influentes e que mais tempo permaneceram no Congresso na história dos EUA --porta-estandarte liberal que também era conhecido como um hábil negociador político--, Kennedy lutava contra um câncer no cérebro, que foi diagnosticado em maio de 2008.

Sua morte marca o crepúsculo de uma dinastia política e representa um golpe para os democratas, que tentam atender ao apelo do presidente Barack Obama por uma grande reforma no sistema de saúde dos EUA.

Kennedy era um dos principais defensores da reforma da saúde, uma das marcas do governo Obama. O presidente disse na quarta-feira que estava de coração partido com a notícia da morte de Kennedy, que foi fundamental para sua vitoriosa campanha presidencial.

"Eu estimava seu conselho sábio no Senado, onde, independentemente do turbilhão de eventos, ele sempre tinha tempo para um novo colega. Eu me lembro de seu apoio e confiança em minha disputa presidencial. E mesmo enquanto ele lidava com uma doença mortal, eu tirei proveito como presidente de sua sabedoria e coragem," disse Obama, que foi eleito em novembro do ano passado e tomou posse em janeiro.

Conhecido como "Teddy," ele era irmão do presidente John Kennedy, assassinado em 1963, do senador Robert Kennedy, morto por um tiro enquanto disputava a nomeação para a presidência na eleição de 1968, e de Joe Kennedy, um piloto morto na Segunda Guerra Mundial.

Quando assumiu o Senado em 1962, na vaga que havia pertencido a John Kennedy, era visto como um político de pouca importância, que devia sua ascensão ao sobrenome célebre.

Mas, em quase meio século de Senado, tornou-se conhecido como um dos parlamentares mais eficazes de Washington, capaz de redigir projetos em colaboração com colegas e presidentes de ambos os partidos, e de encontrar aliados improváveis.

Ao mesmo tempo, aferrou-se a causas liberais que eram consideradas anacrônicas pelos "novos democratas" centristas, e foi um eterno pararraios da ira conservadora.

Ajudou a aprovar medidas para proteger os direitos civis e trabalhistas, ampliar o acesso à saúde pública, melhorar escolas, dar mais auxílio a estudantes e conter a difusão de armas nucleares.

"Há muito por fazer," disse Kennedy à Reuters em 2006. "Acho que acima de tudo é a injustiça que eu continuo a ver e a oportunidade de ter algum impacto a respeito dela."

Depois do assassinato de Robert Kennedy, Edward não perdeu tempo em assumir uma candidatura à Casa Branca. Mas em 1969 uma jovem morreu afogada quando um carro que ele dirigia caiu de uma ponte na ilha de Chappaquiddick (Massachusetts), após uma noite de festa.

O episódio abalou a imagem de Kennedy, que deixou de notificar o acidente às autoridades. Ele se declarou culpado por omissão de socorro.

Em 1980, ele efetivamente disputou a candidatura democrata à Casa Branca, mas acabou preterido pelo então presidente Jimmy Carter, que não conseguiria se reeleger.

Vendo suas ambições presidenciais definitivamente enterradas, Kennedy então se dedicou à carreira no Senado.

Em janeiro de 2008, Kennedy manifestou apoio à candidatura de Obama, então senador em primeiro mandato. Muitos viram nesse gesto uma forma de passar o bastão a uma nova geração. Exatamente um ano e um dia antes da sua morte, já doente, o senador fez um eletrizante discurso na convenção democrata que sacramentou a candidatura de Obama.

Kennedy estava praticamente afastado do Congresso desde que adoecera. O "Leão do Senado" passou a usar uma bengala e a aparentar cansaço, enquanto tentava conciliar trabalho e tratamento.

Mesmo assim, colegas e assessores diziam que ele continuava determinado a realizar aquilo que chamava de "a causa da minha vida" --oferecer assistência médica a todos os norte-americanos. Ajudou a redigir um projeto de lei que reformula o sistema de saúde pública, que gasta 2,5 trilhões de dólares por ano.

CARISMA KENNEDYANO

Seu carisma como "o último dos irmãos Kennedy" fez com que seu nome fosse lembrado em todas as disputas presidenciais entre 1968 e 80.

Mas ele nunca escapou totalmente da sombra deixada pelo acidente de Chappaquiddick. Durante décadas se discutiu se ele tentou acobertar seu envolvimento ao deixar o local enquanto o corpo de Mary Jo Kopechne permanecia sob as águas, e se a polícia também tentou ocultar o caso. Todos os envolvidos negaram qualquer intenção de esconder o fato.

Mais recentemente, outras polêmicas envolveram a família Kennedy, como em 1991, quando seu sobrinho William Kennedy Smith foi julgado por estupro na Flórida. Na ocasião, a imprensa flagrou o "Tio Ted" com aspecto cansado e perdido. Relatos de que ele era um mulherengo que bebia demais o levaram a um pedido público de desculpas sobre "as falhas na conduta da minha vida privada."

Logo depois daquela época, Kennedy se casou novamente, com Victoria Reggie, advogada de 38 anos que tinha dois filhos de um casamento anterior. Ele então revigorou sua atuação no Senado, onde viria a se tornar o terceiro parlamentar na história com mais tempo de participação na Câmara Alta.

TRADIÇÃO FAMILIAR

Nascido em 22 de fevereiro de 1932, Edward Moore Kennedy foi o último dos quatro filhos e cinco filhas do milionário empreendedor Joseph Kennedy, que depois viria a ser embaixador dos EUA em Londres, e da sua esposa, Rose.

"Penso nos meus irmãos todos os dias," disse Kennedy à Reuters. "Eles estabeleceram padrões elevados. Às vezes você se coloca à altura, às vezes não."

A exemplo dos irmãos, Kennedy era conhecido por sua oratória, usando sua voz tonitruante em comícios, audiências parlamentares e no plenário do Senado.

Tragédias marcaram Kennedy ao longo da sua vida. Elas incluíram um acidente aéreo de 1964 que lhe provocaram uma lesão na coluna, com dores persistentes desde então; um câncer ósseo que obrigou à amputação de uma perna do filho Teddy; as lutas da esposa, Joan, contra o alcoolismo, o que culminou com seu divórcio; os problemas com drogas envolvendo seus sobrinhos, um dos quais morreu de overdose. Em julho de 1999, seu sobrinho John Kennedy Jr. morreu na queda de um avião no mar.

Em maio de 2008, Edward Kennedy desmaiou na sua casa, em Cape Cod, e foi levado por via aérea para um hospital em Boston, onde foi diagnosticado um tumor cerebral maligno. O câncer de cérebro mata metade de suas vítimas no prazo de um ano.

(Reportagem adicional de Thomas Ferraro em Washington e Patricia Zengerle em Oak Bluffs, Massachusetts)

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