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28/09/2009 - 17h58

ENTREVISTA-Meirelles pode definir seu papel em 2010 sem pressa

Por Fernando Exman

GOIÂNIA (Reuters) - Apesar do pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que permaneça à frente do Banco Central até o fim de 2010, Henrique Meirelles deve deixar apenas para março a decisão sobre se vai disputar algum cargo eletivo no ano que vem.

"Ele não tem o dever de decidir agora. Ninguém está botando a faca no peito dele, é uma coisa que depende muito dele próprio", disse à Reuters o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, principal cacique do PMDB no Estado natal de Meirelles.

Iris Rezende revelou que convidou Meirelles para entrar no PMDB há cerca de dois meses, argumentando que o partido teria mais força para lhe assegurar uma vitória nas urnas.

Além de maior capilaridade no Estado, alegou, pesquisas de opinião demonstram que o partido tem no momento a preferência do eleitorado goiano em relação às outras siglas. "Você tem que pensar em uma estrutura que lhe dê sustentação", disse a Meirelles na ocasião.

Na última semana, Meirelles anunciou à cúpula do PMDB que quer filiar-se à legenda a fim de ter a alternativa de concorrer a algum cargo eletivo nas eleições de 2010.

Nesse meio tempo, Lula foi de um extremo de praticamente o lançar como candidato em evento no Estado à posição atual, de pedir que siga como presidente do BC até o fim de seu governo. Os dois ainda devem conversar antes de Meirelles assinar a ficha de filiação.

Segundo políticos de Goiás, o presidente do BC deve disputar uma cadeira no Senado, o que abriria caminho para sua participação em um eventual governo da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a escolhida de Lula para disputar sua sucessão. Está também no horizonte de Meirelles uma corrida pelo governo de Goiás ou pela Vice-Presidência na chapa liderada por Dilma.

Em 2002, Meirelles foi eleito deputado federal pelo PSDB com um número recorde de votos em Goiás, mas renunciou ao mandato para assumir a presidência do BC em janeiro de 2003.

O próprio Iris Rezende, que gostaria de disputar o Executivo estadual novamente --já governou o Estado duas vezes-- contra o senador e ex-governador Marconi Perillo (PSDB) precisa de tempo para avaliar se uma renúncia à prefeitura de Goiânia não iria desgastá-lo junto ao eleitorado.

"Falei: Hoje, você não tem condições de ser governador, mas você tem que definir isso lá no mês de março", lembrou sobre a conversa de dois meses atrás.

"Eu também tenho que definir se saio ou não no final de março. Então, se você tiver condições de se eleger filiado ao PMDB, não tem problema. Se você quiser ser senador, temos duas vagas nessa eleição", complementou.

Para Iris Rezende, no entanto, Meirelles terá mais dificuldades se quiser compor uma chapa com a ministra da Casa Civil, pois esbarraria nas pretensões do presidente licenciado do partido e presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP).

"O Michel é o nome hoje colocado em evidência pela sua condição de presidente do partido, é um nome que une todas as correntes do PMDB", comentou.

Ele ponderou que, embora improvável agora, o cenário envolvendo a Vice-Presidência poderá mudar no futuro. "Isso depende de conversações."

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