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12/11/2009 - 15h05

Novo salto do crédito sustenta lucro do BB no 3o trimestre

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A combinação de crédito e lucro crescentes e inadimplência em declínio fez o Banco do Brasil agradar o mercado com os resultados do terceiro trimestre divulgados nesta quinta-feira.

Os números do período mais uma vez acusaram os reflexos da ofensiva deflagrada pela instituição durante os meses mais críticos da crise, de ampliar a oferta de crédito, na contramão da postura conservadora adotada pelos concorrentes privados.

No final de setembro, a carteira de financiamentos do BB somava 301,4 bilhões de reais, um salto de 41,1 por cento em 12 meses. Essa expansão inclui a consolidação de 50 por cento da participação no Banco Votorantim (adquirida no início do ano) e a incorporação de Besc, BEP e Nossa Caixa.

Segundo o Banco Central, a expansão do mercado nesse período foi de 16,9 por cento. Com isso, a fatia do BB nas operações de crédito do sistema financeiro subiu de 16,4 para 20,1 por cento no intervalo de um ano. E a expectativa do próprio banco é de que esse percentual suba mais em 2010.

"Vamos continuar crescendo acima da média do mercado", disse o presidente do BB, Aldemir Bendine, a jornalistas, com base na expectativa de forte crescimento do PIB em 2010.

Com impulso das receitas com financiamento, o banco estatal fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de 1,979 bilhão de reais, um crescimento de 6 por cento na comparação anual.

O ganho só não foi ainda maior por causa do volume ainda elevado de provisões para perdas, que atingiu 2,93 bilhões de reais (excluindo Nossa Caixa), menor que os 3,87 bilhões de reais de junho, porém ainda mais que o dobro da registrada um ano antes.

Isso porque a instituição reportou um aumento do índice de inadimplência (medida pelas operações vencidas há mais de 90 dias), de 3,6 por cento em setembro, ante 3,3 por cento do final de junho e 2,2 por cento do final de setembro de 2008.

"Tomamos a decisão de manter as provisões até que o cenário esteja estabilizado", afirmou Bendine.

De todo, a manutenção dos principais indicadores em níveis superiores aos de seus concorrentes agradou o mercado. Às 15h03, a ação do banco na Bovespa subia 1,86 por cento, a 31,70 reais, enquanto o Ibovespa recuava 0,97 por cento.

"O BB apresentou um robusto crescimento de sua carteira de crédito, com a qualidade da carteira superior à do sistema, e um índice de inadimplência controlado", considerou a Ativa Corretora, em relatório.

A Ativa observou entre outros itens a rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) do BB no trimestre, que ficou em 26,2 por cento, menos que os 30,5 por cento de um ano antes, mas ainda superior aos concorrentes.

ADRs e SEGUROS

Para manter o ritmo de expansão, o banco já faz planos para reforçar seus níveis de capitalização, o que pode incluir captação de recursos via ações. Segundo Bendine, com o atual índice de Basileia de 13,1 por cento, o BB poderia ampliar sua carteira de empréstimos em até 100 bilhões de reais, sem cair do índice mínimo exigido pelo Banco Central, de 11 por cento.

O banco aguarda aprovação do BC para contabilizar duas operações recentes, uma emissão de dívida subordinada de 1 bilhão de reais e uma captação com bônus perpétuos, de 1,5 bilhão de dólares, o que deve levar o índice a 14 por cento.

"Está no radar uma operação para ampliar nosso nível de capitalização, mas não é algo urgente", disse Bendine.

Entre as alternativas consideradas para esse fim estão uma emissão de novas ações. O BB disse que vai cumprir antes do prazo fixado pela CVM, de junho de 2011, a determinação de ampliar o volume de ações no mercado para pelo menos 25 por cento do capital.

Nesta quinta-feira, o banco informou que recebeu aprovação da SEC, órgão que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos, para listar ADRs de nível 1 em Nova York.

"Isso era um sonho antigo", disse Bendine, considerando que há possibilidade de a listagem acontecer ainda este ano.

O executivo afirmou que também espera até o fim de dezembro anunciar a maior parte do processo de reestruturação da área de seguros do banco, que no mês passado anunciou uma parceria com a espanhola Mapfre e o início de conversações para a compra da fatia da Sul América na Brasilveículos e a aquisição do controle da resseguradora IRB-Brasil Re.

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