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09/12/2009 - 21h54

Aversão a risco mantém pressão e dólar avança a R$1,77

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar manteve a alta dos últimos dias e superou 1,77 real nesta quarta-feira, em uma sessão volátil e influenciada pela instabilidade no exterior e pela saída de recursos conforme se aproxima o final do ano.

A moeda norte-americana encerrou cotada a 1,772 real para venda, com avanço de 0,74 por cento. É a maior cotação de fechamento desde 2 de outubro.

Na semana, o dólar acumula alta de 2,55 por cento.

O dólar chegou a cair no começo da sessão, em um movimento de ajuste após a forte subida da véspera. Mais tarde, porém, prevaleceu a cautela com a sucessão de notícias negativas.

Um dia após a redução da nota da Grécia pela Fitch foi a vez da Espanha ser colocada em perspectiva negativa pela Standard & Poor's.

No fim da tarde, embora se desvalorizasse levemente em relação a uma cesta com as principais moedas, o dólar mostrava mais força ante divisas de países emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.

Além disso, as commodities caíam 1,4 por cento, segundo o índice Reuters-Jefferies

"Esta visão mais sensata a respeito do cenário econômico mundial provoca também uma avaliação com maior acuidade a respeito do Brasil", avaliou em relatório Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora.

"(Isso) parece estar fortalecendo a convicção por parte dos investidores estrangeiros, principalmente, de que o real perde a atração como moeda extremamente interessante para especulação... conduzindo o preço da moeda americana, no nosso mercado de câmbio, a um perfil mais compatível com a sua efetiva realidade do país."

Na véspera, com o aumento da aversão a risco, os estrangeiros compraram cerca de 750 milhões de dólares nos mercados de dólar futuro e de cupom cambial, elevando as posições compradas na moeda norte-americana a 6,9 bilhões de dólares --1,6 bilhão de dólares a mais do que no final da semana passada.

FIM DE ANO

A chegada do fim do ano também favorece a subida do dólar. De acordo com Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso, "a virada do ano é um momento complicado, tanto para bancos quanto para investidores. Eles são obrigados a enquadrar exposição a risco", citou.

De acordo com Moacir Marcos Júnior, operador de câmbio da corretora Finabank, houve também aumento da presença de importadores no mercado, possivelmente antecipando a saída de recursos. Ele destacou o volume de mais de 300 mil contratos no principal vencimento de dólar futuro, acima da média dos últimos dias.

Dados do Banco Central confirmaram uma tendência de piora nas transações comerciais. Na primeira semana de dezembro, houve saída líquida de 1,421 bilhão de dólares nessas operações, o que provocou um déficit de 925 milhões de dólares no fluxo geral de câmbio.

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