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14/01/2010 - 08h32

Mortos por terremoto no Haiti podem ser dezenas de milhares

Por Tom Brown e Andrew Cawthorne

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Haitianos traumatizados dormiram em parques e ruas nesta quinta-feira, temendo novos tremores após o catastrófico terremoto que derrubou casas e prédios públicos, soterrando um número incontável de pessoas.

Dezenas de milhares de pessoas estariam mortas e muitas ainda devem estar vivas embaixo dos escombros do terremoto de magnitude 7,0 que atingiu a capital do Haiti na terça-feira.

Não havia sinais de operações organizadas para resgatar sobreviventes, retirar corpos e os médicos do Haiti, país mais pobre das Américas, estão mal equipados para tratar os feridos.

Sobreviventes temem voltar para suas casas e dormiam em áreas abertas, onde mulheres cantavam canções religiosas tradicionais e rezavam pelos mortos.

"Elas cantam porque querem que Deus faça alguma coisa. Elas querem que Deus as ajudem. Todos queremos", disse Dermene Duma, funcionário de um hotel.

Estrangeiros dormiram em volta da piscina do hotel e centenas de haitianos feridos dormiram do lado de fora.

Indagado por um repórter da CNN sobre o número de mortos, o presidente haitiano, René Préval respondeu, "Não sei...até agora, ouvi dizer 50 mil...30 mil". Ele não disse de onde vieram as estimativas.

A Organização das Nações Unidas, cujo quartel-general de cinco andares em Porto Príncipe foi destruído, disse que ao menos 16 membros da sua missão de paz de 9 mil soldados foram mortos. Préval disse que o chefe da missão Hedi Annabi estava morto, mas a entidade não confirmou essa informação.

O palácio presidencial do Haiti estava em ruínas, suas cúpulas caídas sobre as paredes derrubadas. Préval e sua mulher não estavam dentro do palácio na hora do terremoto.

Préval disse que a destruição era "inimaginável" e que teria passado por cima de corpos mortos e ouvido os gritos dos que estavam presos sob o prédio desmoronado do Parlamento, onde o presidente do Senado estava entre os soterrados.

"É a pior coisa que já vi", disse à CNN o diretor do serviço para desastres do Exército de Salvação no Haiti, Bob Poff. "É tanta devastação numa área concentrada. Levará dias ou semanas, para desenterrar."

O epicentro do terremoto estava há apenas 16 quilômetros de Porto Príncipe. Cerca de 4 milhões de pessoas vivem dentro e ao redor da cidade, que foi atingida por abalos sísmicos secundários até 5,9 graus de magnitude após o tremor principal.

Meios de comunicação normais foram cortadas, estradas foram bloqueadas por escombros e árvores, a energia elétrica foi interrompida e o abastecimento de água estava escasso. As únicas luzes visíveis na cidade eram as de semáforos movidos a energia solar.

O porta-voz da Cruz Vermelha haitiana Pericles Jean-Baptiste disse que sua organização --acostumada a lidar com desastres no país tomado pela pobreza, desastres naturais catastróficos e instabilidade política-- estava sobrecarregada e com falta de medicamentos.

"Há pessoas demais para ajudar... Precisamos de equipamento, faltam sacos para os corpos", disse ele à Reuters.

Membros da equipe de paz da ONU pela cidade pareciam espantados com a enormidade do trabalho de resgate que estavam para enfrentar.

"Nós simplesmente não sabemos o que fazer", disse o funcionário chileno da missão de paz, enquanto sentava sobre um trator vendo as sequências de casas destruídas.

"Você pode ver como o prejuízo é terrível. Não temos conseguido chegar a todas as áreas".

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