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16/01/2010 - 12h48

Haiti diz que 200 mil podem ter morrido em tremor; tensão cresce

Por Catherine Bremer e Andrew Cawthorne

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - As tensões entre os desesperados haitianos que esperam por ajuda internacional e alimentos são crescentes dias depois de um terremoto que, segundo autoridades do país, pode ter matado cerca de 200 mil pessoas.

O abalado governo do Haiti deu aos Estados Unidos o controle de seu principal aeroporto para organizar voos de ajuda humanitária que chegam de todo o mundo e acelerar o auxílio à empobrecida nação caribenha.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, vai neste sábado ao Haiti para se encontrar com o presidente local, René Préval, no aeroporto. O plano dela é levar suprimentos e voltar com norte-americanos forçados a abandonar suas casas.

"Também vamos transmitir muito diretamente e pessoalmente ao povo haitiano nosso resoluto apoio a longo prazo, solidariedade e compaixão", afirmou Hillary.

Caminhões lotados de cadáveres estão levando corpos para valas comuns cavadas às pressas fora da capital, mas milhares de corpos ainda estão sob os escombros.

"Até agora já coletamos cerca de 50 mil corpos", afirmou à Reuters o ministro do Interior, Paul Antoine Bien-Aime. "Antecipamos que haverá entre 100 mil e 200 mil mortos no total, embora nunca saibamos o número exato."

Cerca de 40 mil corpos foram enterrados em valas comuns, disse o secretário de Estado para Segurança Pública, Aramick Louis.

Se o número de mortos for mesmo o estimado pelas autoridades, o tremor de magnitude 7 que atingiu o país na terça-feira e destruiu grande parte da capital pode se tornar um dos dez mais devastadores da história.

O ministro da Saúde, Alex Larsen, disse à Reuters que três quartos de Porto Príncipe terão de ser reconstruídos.

Agora, bandos de saqueadores começaram a pilhar sobreviventes que vivem em acampamentos provisórios nas ruas cobertas com destroços e corpos em decomposição, enquanto tremores secundários agitam a montanhosa região.

Autoridades reportaram saques e crescente revolta entre os sobreviventes, desesperados com a demora na assistência. Enquanto isso, os Estados Unidos e outras nações correm para levar comida, água e medicamentos por meio de um aeroporto abarrotado, um porto destruído e estradas cheias de escombros.

LUTA POR COMIDA

Moradores famintos brigam entre si por sacos de comida entregados por caminhões da ONU (Organização das Nações Unidas) no centro de Porto Príncipe.

Uma importante autoridade da ONU alertou que a fome vai aumentar os problemas se a ajuda não chegar prontamente, embora a situação da lei e da ordem permaneça sob controle "por enquanto".

"Houve alguns incidentes nos quais as pessoas estavam saqueando e brigando por comida. Eles estão desesperados, estão há três dias sem comida ou qualquer assistência", afirmou o sub-secretário-geral da ONU para a manutenção da paz, Alain Le Roy, ao programa "The PBS NewsHour".

"Temos de nos certificar que a situação não se deteriore, mas para isso nós precisamos muito assegurar que a ajuda está chegando o mais rápido possível, para que as pessoas que estão precisando desesperadamente de comida e remédios os tenham o quanto antes."

A missão da ONU responsável pela segurança do Haiti, chefiada pelo Brasil, perdeu pelo menos 36 de seus 9.000 membros quando seu quartel-general desabou. As duas maiores autoridades da missão estão desaparecidas.

O enfraquecido governo haitiano não está em condições melhores para lidar com a crise. O tremor destruiu o palácio presidencial e derrubou as comunicações e a energia elétrica. Préval e o primeiro-ministro, Jean-Max Bellerive, estão vivendo e trabalhando na sede da polícia judicial.

"Eu não tenho uma casa, eu não tenho um telefone. Este é o meu palácio agora", afirmou o presidente em entrevista à Reuters.

Temos de assegurar que haja gasolina disponível para as empresas de telefonia celular e para os caminhões que estão carregando os corpos. Os hospitais estão cheios", acrescentou.

PROMESSA NORTE-AMERICANA

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que prometeu uma quantia inicial de 100 milhões de dólares para ajudar o país, afirmou que os norte-americanos farão o que for preciso para salvar vidas e colocar o Haiti em pé novamente. "A escala da devastação é extraordinária... e as perdas são desoladoras", afirmou Obama da Casa Branca.

Obama disse que os Estados Unidos, o Brasil, o México, o Canadá, a França, a Colômbia, a Rússia, o Japão, a Grã-Bretanha e outros países conseguiram enviar pessoas e mantimentos. Enquanto o auxílio chega, a Casa Branca espera que uma melhora na logística possa aperfeiçoar e acelerar os esforços.

Aviões e navios chegaram com equipes de resgate, cães farejadores, tendas, equipamentos para purificação de água, comida, médicos e equipes de telecomunicação, mas enfrentaram um gargalo no pequeno aeroporto.

O controle de tráfego aéreo, prejudicado pelos danos na torre do aeroporto, agora será feito pelos militares norte-americanos, com apoio de um porta-aviões nuclear.

O USS Carl Vinson, com 19 helicópteros, chegou ao Haiti na sexta-feira, abrindo um segundo e significativo canal para levar ajuda à nação. Helicópteros da marinha começaram a levar água para o país e pessoas feridas a um hospital improvisado perto do aeroporto.

Os militares norte-americanos calculavam ter cerca de 1.000 soldados no Haiti na sexta-feira, e milhares mais em navios no mar. O total poderá chegar a 10.000 na segunda-feira.

SEM ÁGUA, SEM SUPLEMENTOS

A Organização Pan-Americana de Saúde afirmou que pelo menos oito hospitais e postos de saúde em Porto Príncipe desabaram ou tinham danos suficientes para não funcionar.

"Não temos suprimentos. Precisamos de luvas cirúrgicas, antibióticos, desinfetantes", afirmou um médico, Jean Dieudonne Occelien. "Não temos nada. Nem água. Temos crianças com bocas secas e não temos água para dar a elas."

A polícia é raramente vista nas ruas e, embora soldados brasileiros da missão da ONU continuem patrulhando, há relatos de pessoas revirando lixos, saqueando e ao menos uma informação de tiros dados no centro de Porto Príncipe na sexta-feira.

Em um mercado que desabou, muitas pessoas subiram nos escombros para buscar comida embaixo deles. Perto da favela Cité Soleil, moradores desesperados se juntaram em volta de um encanamento rompido para beber água ou encher baldes.

Sobreviventes vestidos com farrapos estendem seus braços a repórteres pela cidade, implorando por comida e água.

(Reportagem de Joseph Guyler Delva em Port-au-Prince, Patrick Worsnip na ONU, Phil Stewart, Andrew Quinn e John Crawley em Washington)

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