UOL Notícias Notícias
 

02/02/2010 - 13h58

Mantega vê retomada sem superaquecimento e pede pacto

Por Daniela Machado

SÃO PAULO (Reuters) - Os sinais de recuperação da economia brasileira permitiram a retirada de alguns estímulos, mas não há aquecimento excessivo que justifique, neste momento, alta do juro, avaliou na terça-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega, propondo um "pacto" com o empresariado para blindar o país no ano eleitoral.

A uma platéia de empresários de peso, como Abílio Diniz (Grupo Pão de Açúcar) e Luiz Fernando Furlan (BRF Foods), Mantega disse que a economia está crescendo de forma sustentável, com forte componente de investimento e sem gerar desequilíbrios macroeconômicos.

"Julgamos que era o momento de deixar os subsídios, mantendo o cronograma previsto de vencimentos", afirmou no seminário promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide).

"Foi bom porque acalmou o ânimo daqueles que já achavam que deveria subir juro. Vamos devagar porque o santo é de barro."

No final da semana passada, Mantega confirmou que o governo não renovará incentivos fiscais, decidindo que a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca terminou em janeiro e que o incentivo para o setor automobilístico expira mesmo em 31 de março.

"Se for preciso, os juros serão aumentados, mas não convém aumentá-los inutilmente. Acho que não há essa necessidade neste momento", acrescentou pouco depois.

Segundo ele, a inflação de 2010 não fugirá da meta, "mesmo que a economia cresça entre 5 e 5,5 por cento". Mantega reafirmou ainda o compromisso do governo de cumprir "à risca" a meta de superávit primário deste ano, de 3,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

PACTO COM EMPRESÁRIOS

Mantega também propôs ao empresariado brasileiro um pacto pela sustentabilidade da economia e para blindá-la frente às eleições.

"Não devemos permitir que haja perturbação desse momento muito bom", disse. O ministro avaliou que períodos eleitorais já não são mais turbulentos como no passado, mas sempre há risco de alguma volatilidade nos mercados.

Do lado do governo, prometeu que o compromisso com a estabilidade fiscal e monetária será mantido. "E os senhores (empresários) devem manter o desempenho normal mesmo em ano eleitoral. É importante que o empresário não se deixe levar pelo canto da sereia."

Sobre o desempenho da indústria brasileira no ano passado, divulgado nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mantega avaliou que a fraqueza já era esperada. "No presente, a produção industrial está crescendo fortemente. Estimamos crescimento de 7 por cento da produção industrial em 2010."

Com a crise global, a produção da indústria caiu 7,4 por cento no ano passado --pior performance desde 1990 e o primeiro resultado negativo desde 1999.

Recém chegado de Davos, onde participou do Fórum Econômico Mundial, Mantega afirmou ainda que nunca houve tanta confiança internacional no Brasil quanto agora.

(Edição de Alexandre Caverni)

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host