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02/02/2010 - 16h43

Mercado prossegue ajustes e põe dólar a R$1,83

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar continuou nesta terça-feira a queimar a gordura acumulada ao longo do mês de janeiro e caiu pelo segundo dia seguido, a 1,830 real, com o ajuste de posições diante de um ambiente externo favorável.

A variação da moeda norte-americana nesta sessão foi de 1,67 por cento, acumulando uma baixa de 2,92 por cento nos dois primeiros dias do mês. No ano, após subir em quase todos os dias de janeiro, o dólar ainda tem alta de 4,99 por cento.

O ajuste começou na virada do mês, com a redução pela metade das posições compradas de estrangeiros nos mercados futuros de dólar e de cupom cambial. Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, eles reduziram essas posições --tidas como uma aposta na alta da moeda norte-americana-- de 7,4 bilhões para 3,5 bilhões de dólares.

O movimento aconteceu simultaneamente à recomendação feita pelo Goldman Sachs para abertura de posições vendidas em dólar, com alvo em 1,75 real. Na opinião do banco de investimento, a moeda brasileira havia sido uma das que mais sofreram durante o ciclo global de alta do dólar no fim do mês passado.

O RBC Capital Markets também passou a ver uma "tendência negativa de reversão", com alvos em 1,8269 e 1,7999 real.

Esse ajuste era patrocinado pelo cenário internacional, de acordo com profissionais de mercado. O petróleo disparava nesta terça-feira, e as bolsas em São Paulo e Nova York subiam cerca de 1 por cento. Entre as moedas, o dólar caía 0,34 por cento ante uma cesta com as principais divisas.

"Pela balança (comercial) e outros indicadores de fluxo, esse movimento não é duradouro. Só que enquanto o mercado lá fora permitir, os vendidos vão continuar a empurrar para baixo", disse o operador de câmbio de um importante banco nacional, que pediu para não ter o nome revelado.

DE OLHO NO EXTERIOR

A fragilidade da conta corrente do país no começo do ano --devida, entre outros motivos, ao aumento das importações-- e a incerteza sobre a atuação do governo na compra de dólares por meio do Fundo Soberano ainda pesam contra a definição de uma tendência mais duradoura de queda do dólar.

Além disso, o mercado segue atento aos desdobramentos do mercado internacional, que recebe ao longo da semana dados importantes sobre a economia dos Estados Unidos, como o número de postos de trabalho criados em janeiro, na sexta-feira.

Para José Carlos Amado, operador da corretora Renascença, parte do mercado está apenas devolvendo parte da alta do dólar, para poder "comprar mais barato".

"Ele ainda está sensível, e pode fazer um novo ajuste" de alta caso o cenário internacional volte a piorar, explica.

A visão é parecida à do banco francês BNP Paribas, que afirma em relatório ter "realizado lucros" e reitera sua posição comprada em dólares, com alvo em 1,90 real.

O volume do mercado ganhou corpo, com 3,7 bilhões de dólares negociados a poucos minutos do fim da sessão, segundo dados parciais da clearing (câmara de compensação) da BM&FBovespa. Na véspera, o volume divulgado foi de 2,5 bilhões de dólares, de acordo com profissionais de mercado.

(Edição de Aluísio Alves)

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