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03/02/2010 - 08h49

Irã diz que lançou foguete capaz de carregar satélite

Por Parisa Hafezi e Reza Derakhshi

TEERÃ (Reuters) - O Irã anunciou na quarta-feira que lançou um foguete Kavoshgar-3 capaz de transportar um satélite -- uma iniciativa que pode intensificar os receios do Ocidente em relação ao programa nuclear de Teerã.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad disse que o lançamento foi um grande avanço que ajudará a quebrar "o sistema dominador global" -- uma referência aos adversários ocidentais do Irã.

Na terça-feira Ahmadinejad tinha se mostrado mais conciliador, dizendo que o Irã está disposto a enviar seu urânio enriquecido ao exterior, num aparente recuo em sua posição sobre a disputa nuclear.

As potências ocidentais temem que o Irã esteja tentando construir bombas nucleares e que a tecnologia balística de longo alcance usada para colocar satélites em órbita possa também ser usada para lançar ogivas nucleares. O Irã afirma que seu programa nuclear visa unicamente gerar eletricidade.

Discursando em uma cerimônia de apresentação de nova tecnologia de satélites e espacial, Ahmadinejad disse que o Irã espera enviar astronautas para o espaço em breve.

A emissora estatal Press TV mostrou um foguete sendo lançado desde uma plataforma no deserto, deixando um espesso rastro de vapor. O foguete Kavoshgar-3 (Explorador-3), construído no Irã, teria carregado "organismos vivos", segundo a emissora.

A agência de notícias ISNA informou que a cápsula já retornou à terra com êxito, trazendo de volta seus "passageiros": um camundongo, minhocas e duas tartarugas.

Mark Fitzpatrick, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em Londres, disse que o lançamento faz parte de uma série e não tem importância especial maior que os outros.

"Eles (os lançamentos) contribuem para a capacidade iraniana de mísseis balísticos, mas não constituem sinal de capacidade futura de ICBM (míssil balístico intercontinental) ou de qualquer outra coisa capaz de ameaçar a Europa ocidental ou o território dos EUA", disse Fitzpatrick.

Movido por combustível líquido, o foguete era um artefato de testes de sistemas espaciais. Normalmente esse tipo de foguete chega a cerca de 100 quilômetros acima da superfície da terra, descendo em seguida com a ajuda de paraquedas.

Em maio de 2009 uma avaliação conjunta EUA-Rússia estimou que o Irã estava a seis a oito anos de distância de produzir um míssil balístico capaz de lançar uma ogiva nuclear de 1.000 quilos por uma distância de 2.000 quilômetros.

Em dezembro o Irã afirmou ter realizado um teste de disparo de míssil Sejil de longo alcance, modernizado. Na época, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown disse que o lançamento era motivo de preocupação grave e reforçava os argumentos em favor de sanções mais duras.

Um relatório do Pentágono divulgado na segunda-feira disse que o Irã ampliou sua capacidade de mísseis balísticos e representa uma ameaça importante às forças dos EUA e aliados na região do Oriente Médio.

COMPRAR TEMPO?

No evento aeroespacial, o presidente iraniano não mencionou a disputa nuclear.

Na terça-feira Ahmadinejad disse que o Irã está disposto a enviar seu urânio enriquecido ao exterior, em troca de combustível nuclear. Pela primeira vez, pareceu que ele estava disposto a abrir mão das condições exigidas por Teerã para um pacto com as potências globais.

Os EUA disseram que, se o Irã estiver falando a sério, deve informar a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A Rússia disse que saudará uma decisão iraniana sobre o enriquecimento.

Analistas acreditam que, devido à ameaça de sanções, Irã esteja tentando comprar tempo para evitar pressões domésticas maiores. Ahmadinejad tem se mostrado a favor do acordo porque quer comprar alguma legitimidade, após as eleições presidenciais contestadas do ano passado, que desencaderaram protestos antigoverno.

Na semana passada a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que os governos estrangeiros se aproximam de um consenso em torno da imposição de novas sanções ao Irã devido a seu programa nuclear.

(Reportagem adicional de Hossein Jaseb e Fredrik Dahl em Teerã e de Mark Heinrich em Viena)

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