UOL Notícias Notícias
 

05/02/2010 - 14h21

Exportação de suco de laranja do Brasil pode voltar a patamar de 2008

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Uma previsão razoável, ainda que preliminar, para a receita com as exportações de suco de laranja do Brasil em 2010 indica que os dólares gerados com os embarques podem crescer cerca de 20 por cento, voltando aos níveis pré-crise, segundo o presidente da BR Citrus, Christian Lohbauer.

Em 2009, as exportações brasileiras de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) somaram 1,61 bilhão de dólares, queda de 19 por cento ante 2008, em meio a preços mais baixos. Mas em 2010 as cotações já apontam recuperação com a expectativa de uma safra menor na Flórida, atingida por doenças e geadas.

"Em função de melhoras de preço já verificadas, talvez possamos voltar para os níveis de 2008, quando o Brasil exportou 1,99 bilhão de dólares", declarou à Reuters Lohbauer, à frente de uma associação que reúne as principais indústrias do setor.

O Brasil, maior exportador mundial, embarcou no ano passado 1,30 milhão de toneladas de suco (em FCOJ equivalente), pequeno aumento de 0,7 por cento ante 2008, segundo a BR Citrus, um volume maior do que a expectativa de dezembro da associação, que apontava para os menores embarques desde 2002.

De acordo com o executivo, os contratos de exportações no ano passado tiveram valores "muito ruins", de mil dólares por tonelada, e os que estão sendo fechados para as exportações em 2010 estão acima de 1.500 dólares ou mais.

"Isso é bom, remunera a indústria naquilo que ela não conseguiu ganhar em 2009 e vem até o final da cadeia, até o produtor", declarou.

A colheita da nova safra de laranja do Brasil começa oficialmente em junho.

A alta dos contratos de exportação deve ser mais sentida na balança comercial do agronegócio no segundo semestre, segundo Lohbauer, quando o produto vendido com base nos novos contratos começa a chegar aos importadores.

Os novos acordos estão sendo feitos em meio à expectativa de que a safra da Flórida, principal Estado produtor dos EUA, tenha sido fortemente afetada pelas geadas --na próxima terça-feira, o governo norte-americano divulga a sua primeira estimativa após o frio intenso do início de janeiro, que foi suficiente para congelar frutos.

No mês passado, o USDA estimou a safra em 135 milhões de caixas, ainda sem contar os efeitos do frio.

Os EUA, embora não sejam os principais importadores do suco do Brasil --posto ocupado pela Europa-- definem o preço internacional, pois são produtores e consumidores. Já os brasileiros exportam quase toda a sua produção de suco congelado.

Não seria a primeira vez em que o Brasil se beneficiaria de problemas na safra dos EUA. Há pouco anos, após furacões afetarem a produção na Flórida, o Brasil chegou a exportar mais de 2 bilhões de dólares em suco de laranja ao ano, com a alta dos preços.

"Em função dessa queda de oferta (nos EUA) é que a gente surfa", destacou.

SAFRA BRASILEIRA

O executivo cita previsões de analistas privados para a safra de São Paulo, que concentra grande parte da produção nacional, estimando-a em 310 milhões de caixas, com um volume entre 270 e 285 milhões de caixas sendo absorvido pela indústria exportadora.

Mas ele não está tão otimista para a safra paulista, lembrando que chuvas excessivas geraram problemas com um fungo, conhecido como "estrelinha", que causa a queda das flores e frutos em desenvolvimento inicial.

"A nossa safra não vem muito grande, teve impacto da estrelinha, além do greening... e tem que ver qual vai ser o rendimento, como teve muita chuva, a planta tende a deixar a fruta muito cheia de água, mas o rendimento, o que tem de suco, fica mais baixo, então a safra não vai ser histórica", comentou, evitando fazer previsões.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    12h10

    0,12
    3,269
    Outras moedas
  • Bovespa

    12h19

    -0,56
    63.726,69
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host