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09/02/2010 - 10h06

Irã começa a enriquecer combustível nuclear a 20%

Por Reza Derakhshi e Fredrik Dahl

TEERÃ (Reuters) - O Irã começou na terça-feira a produzir combustível nuclear mais enriquecido, disse a TV estatal do país, enquanto o Pentágono afirmou que os EUA desejam "dentro de semanas, não de meses", uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU contra o programa nuclear iraniano.

A República Islâmica, que nega as finalidades militares do programa atômico, anunciou no domingo que iria iniciar a produção de urânio enriquecido a 20 por cento, para alimentar um reator de pesquisas médicas em Teerã.

O anúncio ocorreu depois de um impasse a respeito de detalhes de um acordo pelo qual o Irã enviaria combustível nuclear baixamente enriquecido ao exterior, e em troca receberia material para um reator médico. Potências ocidentais achavam que, dessa forma, haveria menos risco de o Irã enriquecer material nuclear até o grau necessário para o uso em armas.

"O enriquecimento a 20 por cento começou na instalação de Natanz sob a supervisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, um órgão da ONU)", disse o dirigente nuclear Ali Akbar Salehi em Natanz, segundo a TV estatal.

Horas antes, ele havia dito à Reuters que os preparativos haviam começado e que a produção seria oficialmente lançada durante a tarde (manhã no Brasil).

Salehi disse que o Irã montou uma cadeia de 164 centrífugas para produzir o urânio a 20 por cento. De acordo com ele, a capacidade é de 3 a 5 quilos do material por mês, bem acima do 1,5 quilo de que o país necessita, segundo a agência de notícias Isna.

O Irã atualmente enriquece urânio a 3,5 por cento. Para o uso em bombas, é preciso enriquecer (purificar) o material a 80 por cento. O Conselho de Segurança da ONU já impôs três pacotes de sanções para pressionar o Irã a parar o enriquecimento de urânio, mas o país alega ter direito legítimo a fazê-lo.

Uma nova resolução, no entanto, precisaria ter aval da China, que resiste a novas punições contra o Irã - posição reiterada na terça-feira com um apelo ao diálogo, que "ajudaria a resolver apropriadamente a questão nuclear do Irã", segundo um porta-voz da chancelaria em Pequim.

Diplomatas dizem que eventuais alvos das sanções seriam o Banco Central, a Guarda Revolucionária, empresas de navegação e o setor elétrico.

(Reportagem adicional de Parisa Hafezi e Hossein Jaseb em Teerã e Chris Buckley em Pequim)

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