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11/02/2010 - 20h42

ENTREVISTA-Scolari bate o martelo: Brasil será campeão na África

Por Pedro Fonseca

SÃO PAULO (Reuters) - Luiz Felipe Scolari tem certeza: o Brasil será campeão do mundo este ano na África do Sul.

O otimismo do último técnico campeão mundial com a seleção brasileira baseia-se no que ele considera ser a repetição na atual equipe de um dos pontos fundamentais para sua conquista de 2002, o bom ambiente do grupo.

"Eu acredito piamente que o Brasil estará na final e vencerá essa final", disse Scolari à Reuters, nesta quinta-feira, em entrevista por telefone desde Tashkent, capital do Uzbequistão, onde treina o Bunyodkor desde o ano passado.

"Por aquilo que me falam alguns jogadores e algumas pessoas da comissão técnica do Dunga, o ambiente é muito parecido com o da seleção de 2002. E isso a gente nota nas competições e nos jogos que o Brasil tem jogado. Portanto, é um grande handicap (vantagem) para o Brasil ganhar mais uma Copa do Mundo", acrescentou.

Responsável por formar a chamada "Família Scolari", que deu ao Brasil seu quinto título mundial na Coreia do Sul e Japão há oito anos, Felipão endossa a postura de Dunga de valorizar a manutenção de um grupo comprometido, mesmo que para isso tenha que deixar de fora grandes nomes cobrados pela mídia e pela torcida.

Se em 2002 Scolari era pressionado para convocar Romário, Dunga foi questionado por deixar Ronaldinho Gaúcho fora da convocação para o amistoso do mês que vem contra a Irlanda, o último do Brasil antes da divulgação da relação dos nomes para o Mundial.

Há oito anos a firmeza do então treinador vingou e o Brasil voltou com o título. Dunga defende que não se pode abrir mão de jogadores comprometidos com a equipe para dar espaço às estrelas que estão de fora. E Felipão o apoia.

"O Dunga montou uma seleção razoavelmente nova, teve comando, teve amizade, montou um ambiente, e eu sei o quanto é interessante ter um ambiente efetivamente na seleção, porque se consegue muito mais do que aquilo que se imagina", afirmou o treinador, de 61 anos, conhecido por seu estilo linha-dura.

"O que eu tenho a dizer ao Dunga é que continue o seu trabalho como vem fazendo."

SAUDADES DA COPA

Depois de duas participações consecutivas de sucesso na Copa do Mundo -- foi 4o colocado com Portugal em 2006 -- Felipão terá de assistir à Copa da África do Sul de longe, uma vez que o Bunyodkor estará disputando partidas da liga local durante o Mundial.

O treinador, no entanto, pretende matar um pouco da saudade do clima do Mundial ao aceitar ao menos um dos vários convites que tem recebido para assistir a jogos da competição. O esforço será maior para ver uma partida em especial, o confronto logo na primeira fase justamente entre Brasil e Portugal.

Para o treinador, que curiosamente foi o responsável por lançar nas duas seleções seus dois principais nomes da atualidade - Kaká e Cristiano Ronaldo - Brasil e Portugal chegarão para o último jogo do Grupo G já classificados para as oitavas-de-final, o que facilitará a difícil tarefa de Felipão de dividir o coração em dois.

"Tenho certeza absoluta que Brasil e Portugal vão chegar os dois classificados nesse jogo e jogarão pelo primeiro lugar. Com ambos classificados, não se precisa torcer nem para um e nem para outro", disse Scolari, que contou ter recebido convites de tevês brasileiras e portuguesas para comentar o jogo do dia 25 de junho, em Durban.

Sem estar envolvido diretamente com nenhuma seleção, Felipão surpreende ao apontar seus favoritos para brigar pelo título, ao destacar a Argentina como uma das principais concorrentes.

"Não sei por que me passa pela cabeça, que, se a Argentina acertar um pouquinho a sua equipe, se tiver uma organização definitiva, acho que com o Messi e o Tevez, que está jogando demais, eles poderão ser uma das grandes surpresas do Mundial", disse Felipão sobre a contestada equipe de Diego Maradona, que sofreu nas eliminatórias sul-americanas para conseguir uma vaga.

Para a seleção portuguesa, que Felipão deixou em 2008 para treinar o time inglês Chelsea, após levar o país ao vice-campeonato da Euro-2004 e ao 4o lugar na Copa de 2006, o treinador acredita que o mínimo a se buscar é igualar o resultado do Mundial passado.

"Portugal o mínimo que pode almejar é estar entre os quatro pela equipe que possui. Agora, depois de já ter sido vice-campeão da Euro, entre os quatro finalistas do Mundial, pode até almejar chegar um pouco mais", disse Scolari, que possui o recorde entre os técnicos de 11 vitórias seguidas em Copas -- sete em 2002 com o Brasil e quatro com Portugal em 2006.

Quanto aos africanos, que veem a realização pela primeira vez de um Mundial no continente como a chance de alcançar uma posição de destaque no cenário internacional, Scolari acredita que eles ainda têm algum trabalho a fazer.

"Existem ótimos jogadores africanos, mas acho que ainda falta às seleções africanas uma maior organização em todos os sentidos para que elas possam almejar estar entre as oito melhores do mundo", afirmou.

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