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12/02/2010 - 16h02

Atingido por escândalo, DEM usará tema para atacar PT

Por Fernando Exman

BRASÍLIA (Reuters) - Atingida pelo escândalo de corrupção ocorrido no Distrito Federal, a oposição decidiu partir para o ataque e tentar tirar proveito do episódio nas eleições de outubro.

A estratégia do DEM é comparar a atuação do partido na crise protagonizada pelo governador licenciado José Roberto Arruda ao comportamento do PT no escândalo do mensalão, de 2005. Já os petistas, por enquanto pelo menos, afirmam que não pretendem explorar o assunto na campanha eleitoral.

"O Democratas tem o que dizer. Quem não tem é quem não fez nada, como o PT", disse à Reuters, na sexta-feira, o líder da legenda no Senado, José Agripino Maia (RN), referindo-se à pressão feita pela direção do partido para que Arruda deixasse a sigla quando surgiu o novo escândalo e à determinação para que os filiados abandonassem o governo do Distrito Federal até o primeiro dia útil após o Carnaval.

"A probidade vai ser tema de campanha."

Aprovando a decisão da Justiça de decretar a prisão preventiva de Arruda na véspera, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) reforçou o coro. Para ele, o caso pode até beneficiar o DEM nas eleições.

"A sociedade sabe que pior que a corrupção é a conivência", argumentou. "Eles (PT) querem tirar esse assunto de pauta, mas nós queremos esse assunto na pauta. Corrupção tem que estar na pauta."

Nas eleições de 2006, o chamado escândalo do mensalão, no qual o governo federal liderado pelo PT foi acusado de comprar apoio de parlamentares, e o anterior mensalão mineiro, de um governo do PSDB, foram alvos da campanha. Não tiveram, entretanto, papel decisivo no resultado do pleito. Na época, apenas o então tesoureiro Delúbio Soares foi punido pelo PT.

Desta vez, José Roberto Arruda foi preso preventivamente após ter sido acusado de tentar subornar uma testemunha em meio ao escândalo de um suposto esquema de pagamentos de propinas.

"Isso é muito negativo para o DEM e para o PSDB, mas nós não vamos usar isso e dizer que o Serra tem responsabilidade", disse o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), acrescentando que a oposição tinha uma "falsa moral".

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), é o provável candidato da oposição para enfrentar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na disputa presidencial.

"É um assunto de polícia, e os envolvidos têm que pagar. Nós queremos discutir um programa para o Brasil. O DEM não tem responsabilidade por isso, quem tem é quem fez", destacou o petista.

Preso desde quinta-feira na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, Arruda licenciou-se do cargo e foi substituído temporariamente pelo vice-governador, Paulo Octávio.

A cúpula do DEM trabalhou nesta sexta para fazer com que Octávio renunciasse ao cargo de vice-presidente da Executiva Nacional e à presidência do diretório regional do partido no Distrito Federal, em um outro movimento para tentar desvincular o nome do partido ao escândalo. No início da noite, a assessoria do governador interino disse à Reuters que a sua licença da direção do partido no DF estava confirmada.

Para um integrante da cúpula do partido que falou sob a condição do anonimato, essa seria a única forma de Octávio iniciar "um governo técnico de salvação". A preocupação é compreensível, uma vez que a Procuradoria Geral da República pediu à Justiça uma intervenção federal no DF, única unidade da federação que era governada pelo DEM.

No pedido, o órgão argumentou que grande parte da linha sucessória do governo do Distrito Federal foi citada no caso.

"O Paulo Octávio tem que deixar a vice-presidência do partido e a presidência no Distrito Federal. Isso (a posse do governo interinamente) desautoriza ele o exercício da função partidária, tendo em vista a proibição do diretório nacional", comentou o líder do DEM no Senado.

"Para deixar o partido, é preciso que haja acusações contundentes como houve com Arruda e Leonardo Prudente (deputado distrital)."

(Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

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