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18/02/2010 - 16h25

Chefe humanitário da ONU critica agências de ajuda ao Haiti

Por Patrick Worsnip

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O chefe humanitário da ONU, John Holmes, criticou as agências de ajuda que atuam no Haiti por suas falhas de coordenação e recursos, que, segundo ele, enfraquecem a confiança na capacidade delas de realizar seu trabalho, segundo um e-mail vazado.

Holmes pediu às agências que adotem uma abordagem mais assertiva na ajuda ao Haiti.

Holmes, que visitou o Haiti recentemente, na esteira do terremoto catastrófico de 12 de janeiro, confirmou à Reuters na quinta-feira que o e-mail, divulgado primeiramente no site do jornal Foreign Policy, é autêntico e que a intenção não era que fosse levado a público.

Ele disse que a mensagem, que começa com "Caros colegas", foi dirigida às principais agências das Nações Unidas e outras que trabalham no esforço de ajuda aos sobreviventes do terremoto no Haiti, que matou mais de 200 mil pessoas e deixou mais de 1 milhão sem casas.

As operações de ajuda emergencial no Haiti sofreram dificuldades grandes desde o início, quando o chefe da missão da ONU no país, além de mais de 90 outros funcionários da missão, morreram no terremoto. Desde então, representantes da ONU vêm dizendo que estão sendo feitos progressos constantes.

Mas Holmes disse que, embora muito já tenha sido realizado, ainda restam "importantes necessidades humanitárias não supridas", principalmente em termos de abrigos e saneamento, que, com a aproximação da temporadas das chuvas, podem motivar "manifestações de grandes proporções".

"Receio que ainda não tenhamos injetado os recursos necessários em algumas áreas, em termos da capacidade de implementar programas práticos e levar a ajuda a quem necessita dela", disse Holmes, que é britânico e chefia o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

"Peço que vocês façam uma nova análise precisa do que têm capacidade de fazer nas áreas chaves e que adotem uma abordagem muito mais assertiva no esforço de satisfazer as necessidades."

Holmes focou especialmente o sistema de "núcleos", criado primeiramente após o tsunami asiático de 2004, no qual as necessidades de ajuda emergencial são divididas em setores chaves, cada um dos quais é encabeçado por uma única organização, geralmente uma agência da ONU. Existem 12 núcleos desse tipo no Haiti.

Holmes disse estar desapontado pelo fato de pouco progresso ter sido feito na coordenação dos diversos grupos humanitários no interior de cada núcleo, e que os líderes dos núcleos "continuam a enfrentar dificuldades com a capacidade exigida".

"Vários núcleos ainda não fizeram uma revisão concisa das necessidades e não desenvolveram planos coerentes de reação, estratégias e análises de carências", disse ele. "Isso está começando a se evidenciar e está levando outros a colocar em dúvida nossa capacidade de cumprir nosso papel."

"Não podemos esperar até a próxima emergência para aprender essas lições", disse Holmes. "Existe uma necessidade urgente de reforçar significativamente a capacidade em campo, de aprimorar a coordenação, o planejamento estratégico e a entrega da ajuda."

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