UOL Notícias Notícias
 

18/02/2010 - 14h49

ETH compra Brenco e busca liderança em etanol de cana

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A ETH Bioenergia, controlada pelo conglomerado Odebrecht, formalizou nesta quinta-feira a aquisição da Brenco, dando passo importante na direção da liderança global em produção de etanol à base de cana-de-açúcar.

As duas empresas estavam em negociação há quatro meses e fecharam a união dos ativos, com uma participação majoritária dos controladores da ETH na empresa resultante, que manterá o nome ETH Bioenergia.

A Odebrecht e a trading japonesa Sojitz vão deter 65 por cento de participação na nova ETH, com os acionistas da Brenco ficando com 35 por cento. As empresas não divulgaram detalhes financeiros sobre o acordo.

A Sojitz era detentora de 33 por cento da antiga ETH.

"A complementaridade de Brenco e ETH e ETH e Brenco, ela é evidente, e isso vai permitir que nós possamos acelerar o nosso processo de crescimento a partir da combinação dos ativos", afirmou a jornalistas o presidente da ETH, José Carlos Grubisich, que também será o executivo principal da nova companhia.

As duas empresas, que desde o início apostaram mais em projetos novos --e não em grandes aquisições--, situados em novas fronteiras agrícolas, contarão até 2012 com sete unidades espalhadas pelos Estados do Centro-Oeste, além de duas em São Paulo, na fronteira com Mato Grosso do Sul.

A nova companhia prevê investimentos de 3,5 bilhões de reais entre 2010 e 2012. Os investimentos já feitos somam 3,8 bilhões de reais. A soma do total investido e a investir, 7,3 bilhões de reais, foi considerada pelos executivos quando eles comentaram sobre os valores envolvidos negociação.

PRODUÇÃO FUTURA E ATUAL

A ETH pretende produzir 3 bilhões de litros de etanol e gerar 2.700 gigawatts hora de energia elétrica a partir da queima de biomassa até 2012 --a nova empresa já contratou a venda de 75 por cento do total da energia elétrica que pretende produzir a partir da biomassa da cana.

A Cosan, que hoje é a maior produtora mundial de etanol a partir de cana, produziu na última safra cerca de 2,3 bilhões de litros do biocombustível.

A ETH, a exemplo da Brenco, tem uma estratégia fortemente baseada em etanol e geração de energia, enquanto a Cosan possui um mix mais equilibrado entre álcool e açúcar.

Sobre açúcar, a ETH informou que pretende produzir entre 550 e 600 mil toneladas de açúcar por ano, em 2012, quando projeta uma moagem de 40 milhões de tonelada de cana, contra 4,5 milhões de toneladas do processamento na última temporada.

"Ainda que o foco seja etanol e energia de biomassa, temos algumas empresas que produzem açúcar, que vão ajudar a melhorar a geração de caixa e aproveitar os bons momentos do mercado internacional de açúcar", acrescentou ele.

Na nova safra, a ETH prevê processar entre 10 a 11 milhões de toneladas de cana, mais que o dobro do que moeu na temporada anterior.

Atualmente, cinco unidades da ETH estão em operação.

Três delas são unidades novas --Rio Claro (GO), inaugurada em agosto; Santa Luzia (MS), inaugurada em outubro; e Conquista do Pontal (SP), que iniciou operações no final do ano passado.

As outras duas são instalações que foram compradas (Alcídia-SP e Eldorado-MS) e já operavam.

A Brenco possuía quatro projetos "greenfield". Algumas destas usinas deverão iniciar produção neste e no próximo ano.

Atualmente, as líderes em moagem no Brasil são a Cosan, com 60 milhões de toneladas, a Louis Dreyfus, com 40 milhões (o volume previsto pela ETH em 2012), e a Bunge, com 20 milhões.

O negócio entre a ETH e a Brenco é mais um capítulo no movimento de consolidação do setor de açúcar e álcool no Brasil, que ocorre após problemas financeiros que várias companhias tiveram no auge da crise financeira global.

O aperto no crédito complicou financeiramente várias companhias que haviam investido muito anteriormente.

A Brenco, comandada por Philippe Reichstul --ex-presidente da Petrobras e que está deixando o grupo-- possui entre seus investidores Vinod Khosla, um dos criadores da Sun, e Steve Case, que participou do advento da AOL nos EUA.

A Brenco passou por dificuldades de caixa no ano passado e também chegou a negociar com a Petrobras. Em meio à redução de crédito no mercado, ela obteve um aporte do BNDESPar, que ficou com uma participação na empresa.

No momento, os preços do açúcar no mercado internacional estão perto dos maiores níveis em quase 30 anos e o consumo de etanol no Brasil cresce mais de dois dígitos anualmente.

No início do mês, a Shell anunciou um acordo com a Cosan, maior empresa de açúcar e álcool do Brasil, para união de alguns ativos no país, enquanto a Bunge informou que pretende investir no setor parte do dinheiro advindo da venda de suas operações de fertilizantes para a Vale.

A trading francesa Louis Dreyfus recentemente fechou a compra do controle do grupo Santelisa Vale, subindo para a segunda posição em moagem no Brasil.

O investimento estrangeiro no setor, aliás, tem muito a ver com o potencial que o Brasil tem para se consolidar como grande exportador de etanol, em meio à busca por energia renovável e ambientalmente sustentável no mundo.

E neste contexto a ETH vai aproveitar um projeto oriundo da Brenco, o alcoolduto entre Alto Taquari, em Mato Grosso, e o porto de Santos, um investimento estimado em 1,7 bilhão de reais, além dos 3,5 bilhões que pretender investir nas usinas. A empresa avalia que a obra pode ser completada até 2012.

PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA

Com as usinas advindas do acordo, e com a intensificação das atividades nas suas unidades, a nova ETH prevê faturar entre 1,2 e 1,4 bilhões de reais na safra 2010/11, contra até 500 milhões de reais na temporada que está sendo encerrada.

Odebrecht e Sojitz terão o direito de indicar sete dos dez membros do conselho de administração da nova empresa, ficando três vagas com os demais acionistas.

Pelo acordo com a ETH, todos os quatro projetos novos da Brenco devem entrar na negociação já financiados.

E para isso a Brenco está fazendo uma chamada de capital de 655 milhões de reais, no qual os principais acionistas se comprometeram a aderir.

Dessa forma, segundo os executivos, os 35 por cento dos acionistas da Brenco na nova empresa poderão ficar assim divididos, se tudo correr como o planejado na chamada de capital: o BNDESPar ficaria com 16,6 por cento; a Ashmore, com 15,1 por cento, a Tarpon, com 2,7 por cento, e os acionistas minoritários, com 0,6 por cento.

O BNDES, a propósito, reafirmou em nota seu compromisso com investimentos no setor de cana, "desde que suportado pelas melhores práticas socioambientais e de governança corporativa".

Grubisich, por sua vez, falou a jornalistas sobre a sua intenção de abrir o capital da ETH no futuro, possivelmente entre o segundo semestre de 2011 e o primeiro de 2012.

"Não é segredo pra ninguém que a empresa tem um compromisso de ir para o mercado de capitais", afirmou.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,40
    3,279
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,95
    63.257,36
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host