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25/02/2010 - 15h15

França cometeu erros em genocídio de Ruanda, diz Sarkozy

Por Hereward Holland

KIGALI (Reuters) - A França cometeu sérios erros de avaliação com relação ao genocídio de 1994 em Ruanda e quer garantir que todos os responsáveis pelo massacre sejam detidos e punidos, afirmou o presidente Nicolas Sarkozy na quinta-feira.

Sarkozy estava em visita ao seu correspondente no país da África Central, Paul Kagame, para fortificar as relações diplomáticas, que estão melhores após anos de ressentimento, recriminações e impasses diplomáticos em torno de acontecimentos relacionados ao genocídio.

O presidente francês chegou perto de fazer um pedido de desculpas oficial pelo papel da França durante o assassinato de 800 mil tutsis e hutus em menos de 100 dias.

"Houve um sério erro de avaliação, um tipo de cegueira quando não previmos as dimensões genocidas do governo", disse ele a jornalistas numa entrevista coletiva ao lado de Kagame.

"Erros de avaliação e erros políticos foram cometidos aqui e eles levaram a consequências absolutamente trágicas", afirmou Sarkozy.

Os dois países romperam os laços diplomáticos em 2006 depois que um juiz de Paris acusou Kagame e nove assessores de derrubar o avião do então presidente, Juvénal Habyarimana, em abril de 1994 - o episódio que desencadeou o massacre.

O país da África central negou as alegações e acusou o governo do ex-presidente François Mitterrand de ter treinado e armado milícias hutus responsáveis pelo massacre.

França e Ruanda retomaram os laços diplomáticos em novembro de 2009. Durante os três anos de desacordo diplomático, Ruanda uniu-se a dois blocos anglófonos.

TARDE DEMAIS

Durante sua breve viagem a Kigali, a primeira visita de um chefe de Estado francês depois do genocídio, Sarkozy afirmou que a Operation Turquoise, a missão de resgate francesa enviada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para montar zonas de segurança, havia sido muito pequena e chegou tarde demais. O massacre começou em abril de 1994 e os franceses chegaram em junho.

Sarkozy depositou uma coroa de flores no memorial do genocídio em Kigali, um túmulo coletivo de aproximadamente 250 mil pessoas.

Ruanda pediu que Paris procurasse os fugitivos do genocídio vivendo em solo francês, incluindo a principal suspeita, Agatha Habyarimana, viúva do ex-presidente.

"Queremos que os responsáveis pelo genocídio sejam encontrados e punidos. Não há ambiguidade a esse respeito, e foi isso o que eu disse ao presidente Kagame", disse Sarkozy, salientando que o judiciário francês era independente.

"Há alguns deles na França? Isso é o Judiciário que tem de dizer."

Analistas afirmam que a reaproximação é um sinal do novo pragmatismo da França e de seus amplos interesses econômicos na África. Kagame aceitou um convite para uma cúpula franco-africana em Nice em maio.

Kagame afirmou que os dois países têm um passado difícil, mas reiterou seu compromisso com uma nova parceria em questões como desenvolvimento, investimento, comércio e cultura.

(Reportagem adicional de Yann Le Guernigou)

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