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25/02/2010 - 11h53

Frio na Europa e EUA não desmente aquecimento, dizem cientistas

Por David Fogarty

CINGAPURA (Reuters) - O avanço do aquecimento global permanece incólume, disseram cientistas nesta quinta-feira, apesar das impressionantes imagens recentes da Europa e dos Estados Unidos paralisados pelo gelo.

O frio intenso no Hemisfério Norte -- com previsão de se manter durante março em parte dos EUA -- levou alguns a questionarem se o aquecimento global teria parado. Entender a tendência climática geral é crucial para as estimativas sobre consumo energético e produção agrícola, por exemplo.

"(O mundo) não está se aquecendo por igual em todo lugar, mas é realmente bastante desafiador encontrar lugares que não se aqueceram nos últimos 50 anos", disse o veterano climatologista australiano Neville Nichols numa entrevista coletiva online.

"Janeiro, segundo os satélites, foi o janeiro mais quente que já vimos", disse Nicholls, da Escola de Geografia e Ciência Ambiental da Universidade Monash, de Melbourne.

"O último novembro foi o novembro mais quente que já vimos, novembro-janeiro como um todo foi o novembro-janeiro mais quente que o mundo já viu", disse ele, citando dados registrados desde 1979 por satélites.

A Organização Meteorológica Mundial disse em dezembro que o período de 2000-09 foi a década mais quente desde o início dos registros, em 1850, e que 2009 deve ser o quinto ano mais quente da história. Oito dos dez anos mais quentes ocorreram desde 2000.

O UK Met Office, departamento de meteorologia do governo britânico, disse que invernos rigorosos como o deste ano -- um dos mais frios nas últimas três décadas -- podem se tornar cada vez mais raros por causa da mudança climática global.

Cientistas dizem que o aquecimento global não é uniforme, e que os modelos climáticos preveem maiores extremos de frio e calor, secas e inundações.

"O aquecimento global é uma tendência superposta à variabilidade natural, à variabilidade que ainda existe apesar do aquecimento global", disse Kevin Walsh, professor- associado de Meteorologia na Universidade de Melbourne.

"Seria muito mais surpreendente se a temperatura média global continuasse subindo, ano após ano, sem alguns anos de temperaturas ligeiramente mais frias," disse ele em resposta por escrito aos jornalistas.

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