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25/02/2010 - 18h56

Gerdau e Usiminas superam previsões de lucro no 4o trimestre

Por Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - Disciplina de custos e demanda em alta no mercado doméstico ajudaram as duas maiores produtoras de aço do Brasil a superar as estimativas de lucro trimestral, levando suas ações à primeira alta em quase uma semana.

Gerdau e Usiminas informaram que a valorização da moeda brasileira ajudou a reduzir os juros sobre a dívida em dólar, ao mesmo tempo em que um melhor mix de vendas de produtos e esforços para redução de despesas foram ingredientes importantes para ambas lidarem com a pior crise na indústria em décadas.

Em 2009, siderúrgicas em todo o mundo enfrentaram uma forte queda da demanda no recessivo no setor automotivo, na construção e no segmento de eletrodomésticos. O Brasil, com medidas do governo para estimular a economia, foi um dos únicos países do mundo em que as vendas de carros cresceram no ano passado.

"A visão geral que temos é que os mercados vão continuar se recuperando, porém de forma distinta, dependendo da região geográfica", afirmou a jornalistas o presidente-executivo da Gerdau, André Gerdau Johannpeter.

A Gerdau, maior produtora de aços longos das Américas, e a Usiminas, maior produtora brasileira de aços planos, estão apostando em investimentos em infraestrutura no Brasil nos próximos anos.

Mas as duas empresas alertaram que a situação ainda incerta da economia global, o aço importado barato e a volatilidade do câmbio podem prolongar o tempo de recuperação de seus negócios.

As ações preferenciais da Usiminas subiam 5,2 por cento minutos antes do fechamento, a 49,75 reais, enquanto as da Gerdau ganhavam 4,4 por cento, a 26,21 reais.

A Usiminas teve queda de 32 por cento no lucro do quarto trimestre na comparação anual, mas ainda assim o resultado foi melhor do que a redução de 62 por cento estimada, em média, por sete analistas consultados pela Reuters. A Usiminas teve lucro líquido de 633 milhões de reais de outubro a dezembro.

"A indústria, de maneira geral, está tentando se adequar ao novo ritmo de demanda", disse o presidente-executivo da Usiminas, Marco Antonio Castello Branco, a analistas.

O lucro líquido da Gerdau mais do que dobrou no quarto trimestre ante o mesmo intervalo de 2008, para 643 milhões de reais, graças ao menor serviço com a dívida e um mix favorável de vendas. Para Gerdau, analistas esperavam alta de 71 por cento no lucro.

O negócio de aços especiais da Gerdau ampliou sua produção pelo segundo trimestre consecutivo, ofuscando a fraca produção do grupo na América do Norte.

A CSN, outra grande siderúrgica brasileira, divulgará seu resultado trimestral após o fechamento da Bovespa nesta quinta-feira. Cinco analistas ouvidos pela Reuters esperam, em média, lucro de 635 milhões de reais, queda de 84 por cento contra um ano antes.

MINÉRIO DE FERRO

Com o pior da crise para trás, a Usiminas está considerando cindir sua unidade de minério de ferro para se beneficiar de um apertado equilíbrio entre oferta e demanda do insumo esperado para os próximos anos.

O negócio de mineração da Usiminas respondeu por cerca de 14 por cento do fluxo de caixa operacional da companhia e teve margem acima de 50 por cento.

"Na nossa opinião, investidores estão apenas precificando (nas ações da Usiminas) a produção atual de minério de ferro e não qualquer crescimento potencial", escreveu em relatório a equipe de análise do Goldman Sachs.

No ano passado, a CSN revelou planos de listar em bolsa sua unidade de minério de ferro, que é avaliada em 12 bilhões de dólares por alguns analistas, além de ser a unidade de negócios da companhia que mais cresce.

O presidente-executivo da Gerdau disse que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo está alimentando o crescimento da siderurgia.

Ainda assim, Gerdau e Usiminas descartaram aumentos de preços do aço no Brasil em 2010.

A recente volatilidade do real poderia prejudicar a receita com exportações das empresas e distorcer o valor de suas operações no exterior, especialmente na Gerdau, segundo analistas.

Um real mais forte também poderia tornar mais barato o aço da China, o que ameaçaria as vendas internas de Gerdau e Usiminas.

"Permanecemos cautelosos em relação aos preços dos aços planos no mercado doméstico, que poderiam enfrentar pressão das importações, especialmente com o fortalecimento (do real)", escreveu em relatório o analista Rodolfo de Angele, do JPMorgan Chase.

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