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25/02/2010 - 18h37

Só plástico separa desabrigados de tempestades no Haiti

Por Olesya Dmitracova

LONDRES (Reuters) - A chegada da época de chuvas e furacões sempre prenuncia problemas para o Haiti, mas neste ano, com centenas de milhares de desabrigados por causa do terremoto de janeiro, os perigos são muito maiores.

A temporada de chuvas começa a partir do começo de abril, e a de furacões, no começo de junho. "Se um furacão atinge o Haiti de frente, a perda de vida será severa, e qualquer acampamento habitacional temporário será varrido", escreveu Cameron Sinclair, cofundador da ONG Arquitetura para a Humanidade, em um blog.

Margareta Wahlstrom, representante especial da ONU para a Redução do Risco de Desastres, em Genebra, fez um alerta semelhante à capital do Haiti.

"Porto Príncipe está construída sobre pequenas encostas e montanhas vulneráveis. Com as chuvas, essas encostas começam a amolecer e causam deslizamentos como o que vimos no passado, levando escolas a desabarem e mais mortes", disse ela ao Reuters AlertNet.

Várias tempestades em 2008 no Haiti já mostraram seu potencial para destruir até prédios sólidos. Naquele ano, mais de 800 pessoas morreram e quase 1 milhão precisaram de ajuda humanitária.

Por causa do desmatamento acentuado, resultado da necessidade de carvão vegetal, o Haiti é extremamente vulnerável a inundações e deslizamentos.

É impensável construir habitações permanentes para as vítimas do terremoto antes do início da temporada de chuvas, e não há planos de retirada em caso de inundações ou deslizamentos.

"Temos um enorme desafio em termos de simplesmente fornecer abrigo de emergência - algo que sentimos que, se colocarmos todo o nosso peso por detrás, como estamos fazendo agora, poderemos (fazer)", disse do Haiti por telefone Kristen Knutson, porta-voz do departamento da ONU que coordena a ajuda internacional.

Ela acrescentou que entidades humanitárias por enquanto priorizam a distribuição de abrigos de plástico, e que moradias mais robustas serão necessárias em longo prazo.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha por enquanto constrói apenas uma casa transitória modelo, e espera que as obras de mais casas comecem antes da temporada chuvosa.

"Nem tendas nem acolchoados vão fornecer mais do que uma proteção mínima da temporada de chuvas do Haiti, que atinge seu auge em maio, quando Porto Príncipe recebe uma média de 230 milímetros de chuva e às vezes até 50 milímetros em duas horas. A temporada de furacões, que começa mais tarde, é de especial preocupação", disse a entidade em nota.

(Reportagem adicional de Anastasia Moloney em Bogotá)

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